Aulas em Casa e Vidas em Pausa
Em um apartamento em Minneapolis, a rotina de três crianças foi drasticamente alterada. Esmeralda, Kevin e Carlos deixaram de frequentar as aulas presenciais e agora se reúnem em torno de uma mesa com quatro computadores. Essa mudança para o ensino virtual, que parecia ter ficado para trás após a pandemia, tornou-se uma necessidade para muitas famílias imigrantes na cidade, que buscam evitar a campanha de deportações em massa promovida pelo governo. A decisão de manter os filhos em casa se intensificou após uma operação de agentes de imigração na escola de Esmeralda, há cerca de um mês.
A Vida sob a Sombra da Imigração
A família, que chegou aos Estados Unidos vinda do México há um ano e meio em busca de asilo, vive em constante apreensão enquanto aguarda uma decisão judicial. A revisão do status legal de cerca de 5.600 refugiados em Minnesota sem residência permanente tem gerado operações de imigração, embora um juiz federal tenha temporariamente bloqueado detenções de refugiados que aguardam o green card no estado. Para as crianças, a experiência de transformar a casa em um ambiente escolar e de confinamento é descrita como “estranha”, “estressante” e “entediante”. A falta de interação social e a impossibilidade de atividades cotidianas como ir ao parque causam impacto emocional.
Impacto Familiar e Econômico
Os pais, Abril e Rigoberto, expressam profunda preocupação com o bem-estar psicológico dos filhos, que questionam a necessidade de se esconderem mesmo sem terem feito nada de errado. A presença ostensiva de agentes federais fortemente armados e mascarados em Minneapolis desde dezembro gerou um clima de medo generalizado. A família relata que, ao saber da proximidade de agentes, pedem às crianças para desligarem a televisão e manterem o silêncio, privando-as até mesmo da liberdade de rir. Abril, que trabalha como empregada doméstica, não sai de casa desde o início de dezembro, e seu marido, Rigoberto, mecânico, também parou de ir ao trabalho. Uma vizinha tem auxiliado com as compras, enquanto Rigoberto lamenta a incapacidade de prover segurança e normalidade para sua família.
Um Futuro Incerto e Marcado pelo Medo
O isolamento autoimposto tem afetado severamente a saúde mental dos pais, com Abril relatando noites de insônia e a falta de atividades simples como jogar o lixo fora ou ir à igreja. A família anseia pelo dia em que poderão voltar a sair de casa, mas reconhecem que a experiência deixará marcas permanentes, e o medo será um companheiro constante. A situação em Minneapolis reflete o dilema enfrentado por muitas famílias imigrantes que buscam segurança, mas se veem presas entre o desejo de uma vida melhor e o receio da deportação.

