O snowboard freestyle se consolidou como um dos grandes espetáculos dos Jogos Olímpicos de Inverno e dos X Games, cativando audiências globais com sua mistura de acrobacia, técnica e risco. Dentro desse universo de alta performance, as modalidades de Halfpipe e Big Air representam o ápice da destreza sobre a prancha. Enquanto o Halfpipe exige consistência e ritmo em uma estrutura em forma de “U”, o Big Air foca na execução perfeita de uma manobra única de altíssima complexidade. Para realmente apreciar a maestria desses atletas, é fundamental compreender a terminologia, a física envolvida e, principalmente, os rigorosos critérios que os juízes utilizam para pontuar cada performance.
Origem e Evolução das Modalidades
A trajetória do snowboard competitivo reflete a cultura do skate e do surfe, adaptada para as montanhas de neve. As estruturas de competição, antes valas naturais, hoje são obras de engenharia precisa:
- Halfpipe: Inspirado nas piscinas vazias que skatistas usavam nos anos 1970, o halfpipe na neve começou com valas escavadas manualmente. Sua estreia olímpica foi em Nagano 1998. Atualmente, o padrão é o “Superpipe”, com paredes de 22 pés (cerca de 6,7 metros) de altura, permitindo que os atletas voem mais de 5 metros acima da borda.
- Big Air: Embora grandes saltos sempre tenham sido parte do snowboard, o Big Air como disciplina olímpica codificada é mais recente, estreando em PyeongChang 2018. A modalidade evoluiu dos concursos de “Best Trick” e hoje frequentemente utiliza andaimes gigantescos em ambientes urbanos, além das rampas tradicionais em estações de esqui.
A Dinâmica das Competições
As duas modalidades possuem formatos de disputa distintos, embora compartilhem a base técnica das manobras:
Halfpipe
No Halfpipe, o atleta desliza por uma pista em formato de semicírculo, alternando entre uma parede e outra. O objetivo é realizar uma sequência de manobras (geralmente entre 5 e 6 saltos, ou “hits”) sem perder velocidade:
- Formato: Nas finais, são disputadas três descidas (runs), e a melhor nota é a que vale.
- Dinâmica: É crucial manter o ritmo (“flow”) para que a última manobra tenha a mesma amplitude das primeiras. Quedas ou toques de mão na neve são severamente penalizados.
Big Air
O Big Air consiste em uma única rampa de lançamento (kicker) de grandes proporções. O atleta ganha velocidade, salta, executa uma manobra complexa no ar e deve aterrissar de forma limpa na recepção inclinada:
- Formato: Nas finais olímpicas, são realizados três saltos, e as duas melhores notas são somadas para o total final.
- Regra de Variedade: Para incentivar a diversidade, os atletas devem girar em direções diferentes nos dois saltos contabilizados (ex: um giro para a esquerda e outro para a direita). Se repetirem a mesma manobra, apenas uma será considerada.
Decifrando os Critérios de Julgamento (D-E-A-V-P)
A pontuação no snowboard é subjetiva, mas guiada por critérios técnicos rigorosos definidos pela FIS (Federação Internacional de Esqui e Snowboard), com notas geralmente variando de 0 a 100. Os juízes avaliam com base no acrônimo D-E-A-V-P:
- Dificuldade (Difficulty): Analisa a complexidade técnica da manobra, incluindo o número de rotações (graus de giro), o eixo da rotação (horizontal, vertical ou híbrido/cork), a aterrissagem cega e a complexidade da pegada na prancha (grab).
- Execução (Execution): Refere-se à limpeza da manobra. Juízes buscam aterrissagens suaves, estabilidade no ar e a manutenção do grab pelo tempo correto. Toques de mão na aterrissagem (“hand drag”) ou instabilidade (“butt check”) reduzem drasticamente a nota.
- Amplitude: A altura alcançada no salto. No Halfpipe, é um fator crítico; voar baixo resulta em notas baixas, mesmo com manobras difíceis. No Big Air, a distância e a altura projetada são avaliadas.
- Variedade (Variety): Fundamental no Halfpipe, onde o atleta deve demonstrar domínio das quatro direções de giro (Frontside, Backside, Cab/Switch Frontside, Switch Backside), não podendo apenas girar para o mesmo lado.
- Progressão (Progression): Recompensa a inovação, a introdução de manobras novas ou variações nunca antes vistas, impulsionando a evolução do esporte.
Atletas que Fizeram História e a Matemática das Manobras
A evolução do esporte é marcada por uma

