Roskomnadzor alega descumprimento da lei e ignora combate a crimes
A agência reguladora de internet da Rússia, Roskomnadzor, anunciou nesta terça-feira (23) a implementação de “restrições graduais” à plataforma de mensagens Telegram. A justificativa apresentada é uma suposta “violação” da lei russa, com a alegação de que a plataforma “continua sendo ignorada” e que “nenhuma medida real está sendo tomada para combater a fraude e o uso de mensagens para fins criminosos e terroristas”. A Roskomnadzor alertou que “continuará introduzindo restrições graduais” caso o Telegram não cumpra a legislação.
Críticos veem tentativa de controle e vigilância do Kremlin
A medida russa vem em um momento de intensificação do controle e vigilância da internet por parte do governo, segundo críticos e ativistas de direitos humanos. Eles apontam que a ação contra o Telegram faz parte de uma repressão mais ampla à dissidência, intensificada no contexto da guerra na Ucrânia. Desde 2019, diversas plataformas americanas como X (antigo Twitter), Facebook, Instagram, LinkedIn e YouTube já foram bloqueadas no país por descumprirem legislações nacionais.
Telegram é popular na Rússia, mas enfrenta multas bilionárias
Apesar das pressões, o Telegram é amplamente utilizado na Rússia, tanto para comunicação quanto como rede social. Figuras públicas importantes, agências governamentais e até mesmo o Kremlin mantêm perfis ativos na plataforma. No entanto, o Tribunal Municipal de Tagansky, em Moscou, já impôs ao Telegram multas que somam 64 milhões de rublos (aproximadamente R$ 440 mil) por se recusar a remover conteúdo considerado proibido e por não aderir à lei de automonitoramento.
Governo incentiva app estatal Max como alternativa
Em paralelo às restrições impostas ao Telegram, o governo russo tem incentivado o uso de um concorrente estatal chamado Max. Este aplicativo também tem a capacidade de processar pagamentos e oferecer serviços governamentais, buscando assim direcionar os usuários para uma plataforma sob maior controle estatal. Vale lembrar que a Rússia já tentou banir o Telegram em 2019, mas os esforços fracassaram e a proibição foi suspensa em 2020.

