Congresso emite Críticas Severas ao Departamento de Justiça
Membros do Congresso dos Estados Unidos expressaram forte insatisfação com o Departamento de Justiça (DOJ), acusando-o de editar de forma inadequada documentos relacionados ao financista condenado por crimes sexuais, Jeffrey Epstein. A controvérsia gira em torno da alegada censura de informações antes da divulgação pública, o que violaria a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (EFTA), sancionada em dezembro passado. A legislação visa garantir a liberação de registros sobre o caso, protegendo a identidade das vítimas.
Vítimas e Parlamentares Apontam Ocultações Inadequadas
A polêmica ganhou força após advogados que representam vítimas de Epstein denunciarem que um novo lote de documentos continha informações sensíveis, como endereços de e-mail e imagens de nudez, que poderiam levar à identificação de sobreviventes. As vítimas classificaram a divulgação como “ultrajante”, expressando o risco de retraumatização. Parlamentares, como o deputado democrata Ro Khanna, um dos autores da EFTA, afirmam que os documentos analisados ainda apresentam ocultações indevidas, com cortes realizados pelo FBI antes do envio ao DOJ.
DOJ Promete Transparência, Mas Críticas Persistem
Em resposta às acusações, o Departamento de Justiça informou ter retirado do ar os arquivos questionados, atribuindo os erros a “falhas técnicas ou humanas”. O vice-procurador-geral Todd Blanche declarou que ao menos um documento teve as tarjas revertidas e que o órgão está “comprometido com a transparência”. No entanto, Khanna e o deputado republicano Thomas Massie, coautor da EFTA, relatam ter encontrado, em versões sem cortes, listas com nomes ocultados que poderiam implicar indivíduos nos crimes, além de Epstein e Ghislaine Maxwell.
Debate sobre Acesso e Interpretação da Lei
Massie apontou falhas no manuseio dos arquivos pelo DOJ, com formulários do FBI já contendo cortes, o que, segundo ele, violaria a lei. A questão do acesso aos documentos também foi levantada, com o deputado democrata Jamie Raskin criticando as condições impostas pelo DOJ, que limitariam a consulta aos mais de três milhões de páginas a poucos computadores. O DOJ, por sua vez, sustenta estar cumprindo a lei e nega qualquer tentativa de acobertamento, focando a discussão na interpretação do que pode ser divulgado sem comprometer a proteção às vítimas.

