Nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA e a Doutrina Monroe
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem planos de sediar uma cúpula com líderes de direita da América Latina em Miami no dia 7 de março. A informação, divulgada por um funcionário da Casa Branca, surge em um momento de complexidade nas relações entre Washington e o continente. Embora os detalhes da pauta não tenham sido revelados, os convites devem ser estendidos a presidentes da Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras. Essa movimentação ocorre após a divulgação da nova estratégia de segurança nacional dos EUA, que em dezembro passado enfatizou uma abordagem mais assertiva, resgatando conceitos da Doutrina Monroe e sinalizando pouca tolerância à influência de potências consideradas hostis, como a China, ou a dissidências regionais.
Aliados de Trump na Região e Pautas em Comum
A seleção de líderes para a cúpula sugere um alinhamento ideológico com a administração Trump. Nayib Bukele, de El Salvador, é um aliado próximo na política migratória, implementando medidas rigorosas em centros de detenção. No Equador, Daniel Noboa tem demonstrado afinidade com o trumpismo, tendo defendido a instalação de bases militares americanas. Santiago Peña, do Paraguai, frequentemente menciona Trump, enquanto Javier Milei, da Argentina, é um notório admirador do ex-presidente americano. Nasry Asfura, de Honduras, e Rodrigo Paz, da Bolívia, completam o grupo de líderes cujas plataformas de campanha incluíam o fortalecimento dos laços com os Estados Unidos e o distanciamento de governos de esquerda.
Imigração e o Conselho da Paz como Pontos Centrais
Embora a Casa Branca não tenha oficializado a reunião nem sua agenda, a imigração é um tema prioritário para Trump e deve figurar nas discussões, apesar das controvérsias recentes sobre a violência policial nos EUA. A disposição de El Salvador em receber deportados contrasta com a cautela de outros líderes, como o Equador, que limitou a aceitação a seus próprios cidadãos. Notícias recentes indicam que a Argentina estaria negociando o recebimento de imigrantes de outros países sul-americanos, o que se alinha com a pauta de imigração defendida por Javier Milei. Além disso, Argentina, Paraguai e El Salvador foram convidados a integrar o Conselho da Paz, uma iniciativa de Trump inicialmente focada no conflito em Gaza, mas que busca se expandir como um contraponto ao Conselho de Segurança da ONU.
Contexto de Pressão e Mudanças na América Latina
O encontro em Miami também ocorre em um cenário de intensificação da pressão americana em diversas frentes na América Latina. A Venezuela tem sido alvo de sanções e ameaças militares, com o objetivo declarado de pressionar a saída de Nicolás Maduro. Essa pressão, embora não tenha resultado na queda imediata de Maduro, tem influenciado alianças regionais e a dinâmica econômica, como a supervisão da venda de petróleo venezuelano pelos EUA. Paralelamente, o fornecimento de energia a Cuba foi cortado, agravando uma crise energética no país caribenho, visto como um regime hostil por Washington. A reunião em Miami, portanto, pode ser interpretada como um esforço para consolidar o apoio a essas políticas e reforçar a influência americana na região.

