Ucrânia Exige 20 Anos De Garantias De Segurança Dos Eua E Critica Pressão Por Concessões Em Negociações De Paz Com A Rússia

Ucrânia exige 20 anos de garantias de segurança dos EUA e critica pressão por concessões em negociações de paz com a Rússia

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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou neste sábado (18) que a Ucrânia deseja garantias de segurança dos Estados Unidos por, no mínimo, 20 anos antes de assinar qualquer acordo de paz “com dignidade”. A declaração foi feita durante a Conferência de Segurança de Munique, às vésperas de novas negociações trilaterais entre Kiev, Moscou e Washington, previstas para esta semana em Genebra.

Pressão por concessões e ausência da Europa nas negociações

Em seu discurso, Zelensky criticou o que avalia ser uma “pressão desigual por concessões”, afirmando que, frequentemente, as discussões sobre concessões focam apenas na Ucrânia, e não na Rússia. “Os americanos frequentemente voltam ao tema das concessões, e muitas vezes, essas concessões são discutidas apenas no contexto da Ucrânia, e não da Rússia”, disse o líder ucraniano. Ele também expressou o desejo de que as reuniões trilaterais sejam “sérias, substanciais” e “úteis para todos”.

Zelensky ressaltou a importância da presença europeia nas negociações, considerando a ausência de países europeus à mesa de discussões um “grande erro”. Ele argumentou que a paz só pode ser construída sobre “garantias claras de segurança”, pois onde não há um sistema de segurança claro, a guerra “sempre retorna”.

Garantias de segurança e temas controversos

Um dos pontos mais sensíveis nas negociações é a exigência russa de retirada total das tropas ucranianas das partes restantes da região oriental de Donetsk sob controle de Kiev. A Ucrânia rejeitou uma retirada unilateral e, em contrapartida, busca garantias de segurança ocidentais para dissuadir futuras agressões russas. Zelensky revelou que os EUA propuseram uma garantia de segurança com duração de 15 anos após a guerra, mas a Ucrânia almeja um acordo de 20 anos ou mais, detalhando a ajuda concreta que Washington ofereceria a uma força europeia de garantia posicionada na Ucrânia.

O presidente ucraniano também mencionou que o líder russo, Vladimir Putin, se opõe ao envio de tropas estrangeiras para a Ucrânia, pois isso desestimularia futuras agressões. No entanto, Moscou precisa aceitar uma missão de monitoramento do cessar-fogo e uma troca de prisioneiros de guerra. Estima-se que a Rússia detenha cerca de 7 mil soldados ucranianos, enquanto Kiev mantém mais de 4 mil militares russos.

Pressionando por um acordo e eleições na Ucrânia

Zelensky pediu maior ação dos aliados da Ucrânia para pressionar a Rússia a negociar a paz, seja por meio de sanções mais duras ou envio de armas. Apesar do pessimismo de líderes europeus quanto a um avanço diplomático, Zelensky acredita que o presidente dos EUA, Donald Trump, tem o poder de forçar Putin a declarar um cessar-fogo. Autoridades ucranianas consideram a trégua essencial para a realização de um referendo sobre qualquer acordo de paz.

O presidente ucraniano insistiu que as eleições nacionais, que os EUA pressionam a Ucrânia a realizar até 15 de maio, só podem ocorrer dois meses após a declaração do cessar-fogo, para garantir a segurança dos eleitores. Trump tem pressionado Zelensky a fechar um acordo, mas sem detalhar as consequências caso não haja avanços.

Plano de prosperidade e corrupção no setor energético

Zelensky informou que os EUA ofereceram uma garantia de segurança de 15 anos, mas Kiev busca um acordo “juridicamente sólido” de pelo menos 20 anos. Detalhes sobre um “plano de prosperidade”, que daria aos EUA acesso a recursos minerais ucranianos, ainda não foram trocados, mas os ataques russos a usinas de energia serão tema das conversas. O presidente ucraniano também questionou a substituição do chefe da delegação russa, temendo que Moscou esteja apenas ganhando tempo.

Em um desenvolvimento separado, o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) anunciou a prisão do ex-ministro da Energia Herman Halushchenko, envolvido em um escândalo de corrupção no setor energético que abalou o país no ano passado. Halushchenko, que ocupou o ministério em 2025 e renunciou em novembro, é suspeito de ter “benefícios pessoais” em um esquema que pode ter movimentado até US$ 100 milhões para desviar recursos.

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