Um laudo técnico encomendado por moradores do condomínio Rio2, na Barra da Tijuca, aponta severos cortes nas raízes de árvores próximas ao canteiro de obras do novo empreendimento Grand Quartier. Segundo o documento, essa intervenção teria sido a causa da inclinação e enfraquecimento das árvores, algumas delas contaminadas por fungos e bactérias. Uma das árvores, que ameaçava tombar sobre um parque infantil, foi cortada na última sexta-feira (13) pelas construtoras Patrimar e Carvalho Hosken, após revalidação de licença ambiental.
Preocupação dos Moradores e Laudo Técnico
A Associação de Moradores do Rio2 (AmoRio2) contratou a firma de engenharia Agrotexas após notar a inclinação e o aspecto debilitado das árvores. O laudo, que visualizou as raízes cortadas, indica que cerca de 50% do sistema radicular foi suprimido, afetando a ancoragem e a capacidade fisiológica das árvores. “Essa supressão atingiu tanto raízes estruturais primárias, comprometendo a ancoragem, quanto raízes absorventes, afetando a capacidade fisiológica e o vigor das árvores”, aponta o documento. Fernando Gouveia, diretor-geral da AmoRio2, expressou preocupação com a segurança e a preservação ambiental, solicitando avaliação de outras árvores com raízes expostas à Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Clima (Smac).
Versão das Construtoras e Licença Ambiental
As construtoras Patrimar e Carvalho Hosken negam as acusações. A Patrimar informou que um laudo da Biovert, de setembro de 2023, já indicava condições fitossanitárias insatisfatórias em parte das árvores, incluindo a que foi cortada, que já apresentava risco de queda acentuado. A empresa afirma que, apesar de possuir licença para supressão, optou por não realizar o corte na época em nome da preservação. Segundo a construtora, as chuvas recentes agravaram a inclinação da árvore, tornando a remoção necessária para evitar acidentes. A Carvalho Hosken declarou que a Patrimar já havia esclarecido os questionamentos.
Posicionamento da Prefeitura
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) confirmou que a remoção da árvore ocorreu amparada por licença ambiental e que a autorização para sua retirada data de 2023. Na ocasião, previa-se a supressão de 44 espécimes na área do novo empreendimento. A SMDU enviou técnicos para acompanhar o serviço, e a Patrulha Ambiental, acionada por moradores, constatou a existência de licenciamento e autorização para o corte. Como medida compensatória, a empresa deverá plantar oito mudas.
Histórico e Reclamações Anteriores
As mesmas árvores já foram motivo de embate em 2023, quando uma licença ambiental para supressão de parte da vegetação foi emitida. Na época, após mobilização dos moradores, as construtoras prometeram revisar o traçado do condomínio para preservá-las. De acordo com a Patrimar, o projeto do Grand Quartier fez um recuo de aproximadamente 1,5m em relação ao traçado original do subsolo, cumprindo a promessa. A empresa reitera que suas decisões técnicas são baseadas em laudos especializados e em conformidade com a legislação.

