Da Zona Norte Ao Palco De Paris: Professor Carioca Leva Charme Brasileiro Para A França Em Festival Internacional

Da Zona Norte ao Palco de Paris: Professor Carioca Leva Charme Brasileiro para a França em Festival Internacional

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Trajetória de Sucesso e Raízes no Subúrbio

Da periferia da Zona Norte do Rio de Janeiro ao coração cultural de Paris, Marcus Azevedo personifica a ascensão de um movimento que pulsa nas comunidades cariocas. Morador de Vista Alegre e com uma vida moldada entre Madureira, Marechal Hermes e Guadalupe, o professor, pesquisador e coreógrafo embarca em uma jornada inédita: ministrar a primeira aula e baile de charme em solo francês. O evento acontecerá no dia 21, como parte do Festival Everybody, no histórico Carreau du Temple, um espaço cultural parisiense do século XIX.

Essa conquista internacional é o reflexo de uma dedicação de mais de 25 anos ao Movimento Charme. Azevedo, que teve seu primeiro contato com a dança aos 10 anos em um baile infantil em Marechal Hermes, viu no charme uma vocação. Crescendo entre os passos ensaiados pelos primos e frequentando bailes icônicos como o Disco Voador e, posteriormente, o Viaduto de Madureira, ele se tornou uma figura central na preservação e evolução do gênero.

“Eu não teria essa oportunidade se não fosse a Zona Norte. É o meu ponto de partida, começo, meio e fim”, afirma Azevedo, que, apesar do reconhecimento internacional, mantém suas raízes firmes no subúrbio. Ele continua ensaiando suas companhias em equipamentos públicos como a Arena Fernando Torres, em Madureira, e o Centro Coreográfico da Tijuca, reforçando seu compromisso com a comunidade que o formou.

O Charme como Expressão de Resistência e Inclusão

A dimensão coletiva, intergeracional e periférica da dança charme foi o que capturou a atenção da curadoria do Festival Everybody, um evento dedicado a danças inclusivas e narrativas de resistência. A coordenadora do festival conheceu o trabalho de Azevedo em 2024, durante uma aula aberta na Arena Fernando Torres, e ficou impressionada com a forma como a dança integrava pessoas de diferentes idades, etnias e histórias de vida.

Marcus Azevedo não é apenas um artista, mas também um pesquisador e formador dedicado. Ele fundou a Dança Charme & Cia, a primeira companhia profissional do gênero no Brasil, e a Cia Originais do Charme, composta por dançarinos com mais de 40 anos. Seu trabalho pioneiro levou o charme dos bailes para palcos e teatros, contribuindo significativamente para a profissionalização do setor.

Em 2022, um marco: a dança charme conquistou um registro profissional próprio no estado do Rio de Janeiro, resultado de uma pesquisa conceitual conduzida por Azevedo. “Eu queria que essas pessoas se entendessem como artistas, com direitos, com profissão”, declara. “O charme tem quase 46 anos. Quantas famílias, quantas histórias nasceram ali? Não dava mais para ficar restrito só ao baile.”

Representando o Rio em Paris

Em Paris, Azevedo ministrará um aulão de charme e compartilhará o palco com a DJ GAB, da Cidade de Deus, e o dançarino Eduardo Gonçalves. Para ele, levar o charme para o exterior é também uma forma de representar a Zona Norte e o Rio de Janeiro como um todo. “O samba e o funk já brilham lá fora, faltava só o charme. Se faz bem ao carioca, faz bem ao mundo inteiro”, conclui.

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