A Inteligência Artificial como Motor da Descarbonização Industrial
Em 2025, a indústria de base brasileira, que abrange setores cruciais como cimento, aço e mineração, encontra na Inteligência Artificial (IA) uma aliada poderosa para acelerar sua jornada rumo à descarbonização. Iniciativas governamentais, como o acordo entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Instituto de Pesquisa em Sustentabilidade da Schneider Electric, e o acesso a financiamentos internacionais, como os R$ 1,3 bilhão garantidos pelo Brasil no Programa de Descarbonização da Indústria (PID), sinalizam um futuro promissor.
A Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI), lançada durante a COP30, visa transformar a transição energética em um motor de desenvolvimento econômico sustentável. Nesse cenário, a IA emerge não apenas como facilitadora, mas como o principal impulsionador para reduzir emissões e aumentar a eficiência operacional.
Desafios e Oportunidades da IA na Indústria
Roger Flávio de Lima, especialista em IA e CEO da Montreal Construções, destaca que, apesar da matriz energética brasileira ser relativamente limpa, o grande desafio reside em reduzir as emissões de processo e a pegada de carbono de maquinários pesados. A IA tem o potencial de otimizar o consumo de energia e insumos em processos complexos, como em fornos de cimento e aciarias, podendo gerar uma redução de 5% a 15% no consumo, o que se traduz em milhões de toneladas de CO₂ evitadas.
Além disso, algoritmos preditivos para manutenção de frotas e equipamentos minimizam paradas não planejadas e garantem que cada ativo opere em sua máxima eficiência energética. Isso não só prolonga a vida útil dos equipamentos, mas também adia a necessidade de produção de novos, reduzindo o impacto ambiental.
Gargalos Tecnológicos e Soluções Inovadoras
Apesar do otimismo, gargalos como infraestrutura de dados obsoleta, altos custos de tecnologias como captura de carbono e a falta de plataformas integradas de monitoramento ainda desafiam a transição. A solução apontada por Lima são os Gêmeos Digitais, que modelam processos industriais completos, permitindo simular o impacto de intervenções e garantir que a redução de emissões em uma área não gere aumento em outra.
A aplicação prática da IA já é visível na otimização de fornos industriais por meio de aprendizado por reforço, na gestão inteligente de rotas para frotas de veículos pesados e na detecção preditiva de vazamentos de metano através de análise de imagens de satélite e sensores de campo.
IA para Tomada de Decisão Estratégica e Competitividade
A modelagem de cenários futuros com Gêmeos Digitais permite simular o retorno sobre o investimento de novas tecnologias antes da alocação de capital, prevendo reduções exatas de emissões, custos operacionais e tempo de retorno. Algoritmos também otimizam o portfólio de carbono, analisando preços de energia e regulamentações futuras para orientar decisões de investimento em redução de emissões internas ou compra de créditos de carbono.
A IA pode, ainda, prever a demanda futura por energia limpa, como hidrogênio ou amônia verde, auxiliando empresas a planejar a substituição de insumos energéticos. Para Lima, a transição para o Net Zero é crucial para a competitividade global da indústria brasileira, que, se não acelerar, enfrentará barreiras comerciais significativas.
Métricas e a Necessidade Urgente de Investimento em IA
A medição do impacto da digitalização na descarbonização requer métricas específicas, como intensidade de carbono por produto, custo marginal de abatimento, taxa de otimização do consumo específico e tempo de resposta preditiva. O especialista enfatiza que a IA não é um luxo, mas uma necessidade urgente para a relevância da indústria brasileira no mercado internacional e para que o país capitalize seu potencial em energia limpa.
A liderança executiva precisa encarar a IA como um investimento estratégico em resiliência e vantagem competitiva, e não apenas como um custo. A adoção de IA é fundamental para garantir que a indústria brasileira não apenas atenda às demandas ambientais, mas também prospere em um mercado global cada vez mais focado na sustentabilidade.

