Tripulantes pintam bandeira russa em petroleiro fugitivo
Tripulantes de um petroleiro perseguido pelas forças dos Estados Unidos pintaram uma bandeira da Rússia na lateral da embarcação em uma aparente tentativa de obter proteção de Moscou, segundo informou o jornal The New York Times, citando dois oficiais americanos. A primeira tentativa de interceptação pela Guarda Costeira dos EUA ocorreu em 21 de dezembro, quando o navio Bella 1 tentava navegar em direção à Venezuela para carregar petróleo.
A pintura da bandeira russa teria ocorrido durante a fuga, em um movimento incomum para reivindicar o status de proteção de Moscou. O navio-tanque, sancionado pelos EUA desde o ano passado por supostamente transportar e revender petróleo iraniano para financiar terrorismo, está com seu transponder desligado desde 17 de dezembro, tornando sua posição exata desconhecida.
Rota alterada e frota fantasma
A rota do Bella 1 teria sido alterada para o noroeste, em direção à Groenlândia ou Islândia, de acordo com os oficiais. A embarcação é composta por cidadãos russos, indianos e ucranianos e faz parte de uma frota de petroleiros que operam de forma não declarada, transportando petróleo da Rússia, Irã e Venezuela, em violação às sanções internacionais.
A decisão de fugir das forças americanas é vista como um movimento incomum, especialmente considerando que outros petroleiros interceptados perto da Venezuela concordaram em ser abordados recentemente. A perseguição ao Bella 1 exigiria uma equipe especializada em lidar com tripulações potencialmente hostis.
Bloqueio total e tensões crescentes
A situação ocorre em meio a um endurecimento das ações dos EUA contra a Venezuela. Em 16 de dezembro, o presidente Donald Trump anunciou um “bloqueio total e completo de todos os navios-tanque de petróleo sob sanções que entrem ou saiam da Venezuela”. Trump acusou o governo venezuelano de financiar narcoterrorismo e outras atividades ilícitas com o petróleo extraído do país, designando o regime de Maduro como uma “ORGANIZAÇÃO TERRORISTA ESTRANGEIRA”.
As declarações de Trump intensificaram as preocupações sobre uma possível intervenção militar na Venezuela, com a mobilização de forças navais americanas na região. O governo dos EUA alega que as ações são necessárias para combater o narcotráfico, mas dados da ONU indicam que a Venezuela tem pouca participação na produção ou contrabando de fentanil, o principal responsável pelas overdoses nos EUA, com a origem principal sendo o México.
Críticas e divisões internas
As ações americanas na Venezuela, incluindo supostas operações secretas autorizadas pela CIA e a apresentação de planos militares ao presidente, geraram alarme entre juristas e legisladores democratas, que as consideram violações do direito internacional. No entanto, Trump defende que os EUA já estão em guerra com grupos narcoterroristas venezuelanos, justificando o uso da força.
Pesquisas de opinião pública nos EUA revelam divisão sobre o uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem processo judicial. Enquanto parte dos republicanos apoia a medida, a maioria dos democratas é contra. A comunidade internacional observa com apreensão o aumento da tensão na região do Caribe e as possíveis consequências para a estabilidade regional.

