Brasil na Vanguarda dos Ganhos com Acordo Mercosul-União Europeia
A agência de classificação de risco Moody’s projeta que o Brasil será o maior beneficiado entre os países do Mercosul com o recente acordo comercial com a União Europeia. A análise, divulgada nesta segunda-feira, atribui essa vantagem à escala e à composição das exportações brasileiras, com destaque especial para os setores de agronegócio e mineração.
Agronegócio e Mineração: Os Motores do Crescimento Brasileiro
Segundo o relatório da Moody’s, apesar de um impasse na ratificação do acordo pelo Parlamento Europeu, o Brasil se beneficiará significativamente do acesso ampliado a mercados para seus produtos agrícolas, como carne bovina e aves, além de minerais. A União Europeia já representa cerca de 16% do comércio total do Mercosul, e o acordo tende a expandir ainda mais essa relação. A ampliação das cotas para exportação de carne bovina (99 mil toneladas) e aves (180 mil toneladas) para a Europa deve impulsionar a receita do agronegócio brasileiro. Além disso, a eliminação de tarifas elevadas impostas pelo Mercosul sobre produtos europeus, como autopeças (até 35%) e laticínios (28%), é vista como um fator que aumentará a competitividade e reduzirá custos produtivos no Brasil a longo prazo.
Diversificação Comercial e Redução de Vulnerabilidade Geopolítica
Apesar de os impactos no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro serem estimados como modestos no curto prazo – com uma projeção de aumento de apenas 0,25% para o PIB do Mercosul até 2040 –, o acordo é visto como crucial para a diversificação das exportações brasileiras. A menor dependência de mercados como China e Estados Unidos reduz a vulnerabilidade geopolítica do país. A Moody’s também antecipa um estímulo ao ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), especialmente nos setores de agronegócio e energia renovável. A União Europeia já é o maior investidor estrangeiro no Brasil, e o tratado tende a fortalecer essa posição, permitindo que empresas europeias compitam em igualdade de condições por contratos públicos no bloco sul-americano.

