2025/12 — Aliado Do Prefeito De Maceió, Ex Gestor De Previdência é Acusado De Desviar R$ 3,2 Milhões Em Verbas Da Igreja Católica E Investiu R$ 97 Milhões No Banco Master

2025/12 — Aliado do prefeito de Maceió, ex-gestor de previdência é acusado de desviar R$ 3,2 milhões em verbas da Igreja Católica e investiu R$ 97 milhões no Banco Master

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Investigação na Igreja Católica e Aplicações Financeiras

Ronnie Reyner Teixeira Mota, figura próxima ao prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), está no centro de acusações de desvio de verbas e de uma investigação envolvendo o Banco Master. Mota, que já dirigiu o Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev), é suspeito de ter desviado R$ 3,2 milhões em emendas parlamentares destinadas pela Arquidiocese de Maceió para custear oficinas profissionalizantes para dependentes químicos. As suspeitas recaem sobre recursos que deveriam ter sido aplicados entre 2019 e 2024, período em que JHC, então deputado federal, destinou verbas para projetos da Arquidiocese.

Conexões Políticas e Investimentos Milionários

Ronnie Mota tem forte ligação com o prefeito JHC, tendo participado de sua primeira campanha à prefeitura em 2020 e sendo nomeado para liderar o Iprev em maio de 2023. Sob sua gestão, o Iprev realizou aportes significativos no Banco Master: R$ 80 milhões em dezembro de 2023 e mais R$ 17 milhões em maio de 2024. O Banco Master, alvo de liquidação pelo Banco Central em abril deste ano, também está sob investigação da Polícia Federal por suspeita de gestão fraudulenta. Pouco antes da liquidação do banco, em setembro, JHC exonerou Mota do Iprev, embora o instituto afirme que a exoneração não teve relação com as investigações do banco, mas sim com uma reforma administrativa municipal.

Suspeitas de Irregularidades na Gestão da Fundação Recriar

Paralelamente às suas funções no Iprev e à sua proximidade com o prefeito, Ronnie Mota atuava no conselho fiscal da Fundação Recriar, entidade beneficente ligada à Arquidiocese de Maceió. No início de 2024, a Arquidiocese entrou com uma ação judicial contra Mota e o ex-tesoureiro da fundação, padre Walfran Fonseca, alegando irregularidades na aplicação de verbas, especialmente aquelas provenientes de emendas parlamentares. A Igreja aponta que não há comprovação de que os serviços financiados pelas emendas foram devidamente prestados.

Empresa Ligada à Irmã de Mota Recebeu Verbas

A Arquidiocese de Maceió destacou na ação judicial que uma parcela considerável das verbas, R$ 1,7 milhão, foi destinada por JHC entre 2018 e 2020. Após a entrada de Ronnie Mota no conselho fiscal da Fundação Recriar, a empresa Consult Talentos foi contratada para gerir os projetos financiados com as emendas. A Consult Talentos tem como sócia Renata Mota, irmã de Ronnie. A Arquidiocese considera essa contratação suspeita de favorecimento e possível desvio de valores. A Consult Talentos recebeu R$ 701,4 mil em três convênios com recursos indicados pelo então deputado federal e atual prefeito. Procurado, o prefeito JHC não comentou a destinação das emendas. Ronnie Mota alegou que a fundação buscou emendas de forma isonômica e que o conselho fiscal não tinha poder de decisão sobre contratações. Ele também minimizou a ação judicial, classificando-a como uma “briga interna na Igreja” e expressou confiança em uma decisão favorável sobre sua ilegitimidade no processo. Sobre os investimentos no Banco Master, Mota não se pronunciou e direcionou a reportagem ao Iprev, que, em nota, reiterou que a exoneração de Mota ocorreu por motivos administrativos e que está analisando a conformidade dos investimentos e buscando informações sobre a devolução dos recursos aplicados no Banco Master.

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