O governo dos Estados Unidos anunciou a instalação de aproximadamente 50 pequenas aberturas ao longo do muro que divide o país do México, nos estados do Arizona e da Califórnia. A iniciativa, que visa facilitar a migração de animais silvestres, tem sido alvo de fortes críticas por parte de ambientalistas e especialistas em vida selvagem, que a consideram insuficiente e meramente simbólica diante do impacto da barreira sobre a biodiversidade.
Dimensões Reduzidas e Inadequação para a Fauna
As estruturas, apelidadas de “portas para cães” por seus detratores, terão dimensões de cerca de 20,32 cm por 27,94 cm. Elas serão incorporadas em trechos já existentes e em construção da cerca fronteiriça, que se estende por mais de 3.100 quilômetros. Especialistas apontam que o tamanho das aberturas é inadequado para espécies de maior porte, como ovelhas selvagens, veados, onças e ursos, que dependem de rotas migratórias contínuas para acesso a recursos essenciais como água, alimento e parceiros reprodutivos.
Fragmentação Ecológica e Preocupações Crescentes
Ambientalistas alertam que o muro, em sua totalidade, representa um sério comprometimento para a biodiversidade, fragmentando ecossistemas inteiros. A pesquisadora Christina Aiello, da Wildlands Network, destacou que as aberturas, embora possam beneficiar animais de pequeno porte, não solucionam o problema central da fragmentação causado pela barreira física. A expansão contínua do muro, com novas seções de até nove metros de altura, levanta o temor de efeitos irreversíveis, podendo isolar até 95% da fauna da Califórnia e do México, alterando a história evolutiva do continente.
Segurança Nacional e a Perspectiva do Governo
Apesar das preocupações ambientais, o Departamento de Segurança Interna (DHS) defende a política de construção do muro. Em comunicado, o órgão ressaltou uma “recorde de baixa” no número de encontros na fronteira sudoeste durante os meses de outubro e novembro, com uma média diária de cerca de 245 abordagens. O DHS também informou sobre a autorização para a construção rápida de aproximadamente oito quilômetros de muro, dispensando exigências legais, inclusive ambientais, para agilizar as obras. A Alfândega e Proteção de Fronteiras afirma estar mapeando rotas migratórias e buscando medidas de mitigação, como as pequenas passagens agora anunciadas.
Simbologia vs. Solução Real
Apesar de temores pontuais sobre o uso das brechas por migrantes, especialistas como Myles Traphagen, da Wildlands Network, afirmam que não há registros desse tipo de ocorrência, pois as aberturas são claramente inadequadas para a passagem humana. A iniciativa, portanto, é vista por muitos como um gesto simbólico que não aborda a magnitude do problema ecológico criado pela extensa barreira física. A discussão sobre o equilíbrio entre segurança fronteiriça e preservação ambiental continua em pauta, com ambientalistas clamando por soluções mais abrangentes e eficazes para proteger a vida selvagem.

