Acordo de última hora evita cassação e resulta em suspensão
Em uma reviravolta política, o deputado Glauber foi suspenso por seis meses da Câmara dos Deputados, escapando da cassação que parecia certa até o início da tarde. A decisão foi fruto de um acordo costurado pela base do governo, que aprovou um destaque diminuindo a oposição à punição. A crise institucional enfrentada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi um fator determinante para a articulação, que buscou uma “saída honrosa” para Motta, evitando um possível revés na votação da cassação.
Partidos do Centrão mudam voto e priorizam punição
Partidos do Centrão, que inicialmente eram favoráveis à cassação, foram convencidos a votar pela suspensão. A justificativa interna foi a de que punir o parlamentar com a suspensão seria mais vantajoso do que arriscar não atingir o quórum necessário para a perda do mandato, o que resultaria em sua absolvição. A decisão encerra meses de desgaste em torno do processo disciplinar contra Glauber, que chegou a realizar uma greve de fome em protesto.
Defesa de Glauber e acusações contra Arthur Lira
Durante sua defesa, que durou 25 minutos, Glauber declarou: “O Congresso é inimigo do povo” e afirmou que continuará suas denúncias, inclusive sobre o “orçamento secreto” e o ex-presidente Arthur Lira. Ele lamentou a condução do processo pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, alegando que este buscava criar uma falsa simetria com o caso da deputada Carla Zambelli, cuja cassação será analisada posteriormente.
Entenda o caso: Episódio em abril e greve de fome
O processo de cassação teve origem em um episódio ocorrido em abril de 2024, quando Glauber foi denunciado por chutar o militante do MBL Gabriel Costenaro durante uma discussão nos corredores da Câmara. A briga se estendeu para fora da Casa e precisou ser apartada por policiais legislativos. Glauber alega ter sido provocado e xingado pelo militante. Em março, o Conselho de Ética aprovou parecer pela cassação, levando o deputado a iniciar uma greve de fome de oito dias, encerrada após a promessa de Motta de não pautar a votação por 60 dias.
Tumulto em plenário e remoção forçada do deputado
Na terça-feira, ao saber que seu processo seria votado, Glauber subiu à Mesa Diretora, sentou-se na cadeira presidencial e se recusou a sair, classificando a cassação como “um ataque político”. A situação escalou com a intervenção da Polícia Legislativa, gerando tumulto no plenário e no Salão Verde. A sessão foi interrompida, e Glauber foi removido à força, aos gritos de “não vão me calar”. O deputado relatou ter sofrido traumatismo superficial no ombro durante a confusão.

