Governo Insiste Em Convocação De Cunhado De Dono Do Banco Master Na Cpi Do Inss Após Divulgação De Lista Por Damares Alves

Governo Insiste em Convocação de Cunhado de Dono do Banco Master na CPI do INSS Após Divulgação de Lista por Damares Alves

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CPI do INSS Retoma Foco em Pastor e Empresário

Parlamentares da base governista prometem insistir na convocação do pastor e empresário Fabiano Campos Zettel para prestar depoimento e ter seus sigilos bancário e fiscal quebrados assim que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS for retomada após o recesso. O nome de Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ganhou destaque no colegiado após aparecer em uma lista divulgada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em meio a divergências sobre o foco das investigações no braço religioso.

Requerimentos Pendentes e Conexões Religiosas

Atualmente, a CPI possui três requerimentos que tratam diretamente de Fabiano Campos Zettel: dois pedem seu depoimento (convite e convocação) e um solicita Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além da quebra de seus sigilos bancário e fiscal. A insistência na convocação de Zettel, que realizou doações significativas para campanhas eleitorais em 2022, incluindo R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para a de Tarcísio de Freitas, também carrega um viés eleitoral, segundo parlamentares.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou um dos pedidos, solicitando o convite de Zettel para esclarecer sua atuação nas investigações sobre irregularidades na gestão e descontos indevidos em benefícios previdenciários. A justificativa aponta a relação de Zettel com a Igreja Bola de Neve e sua conexão com a Igreja da Lagoinha, instituição ligada à Clava Forte Bank S/A. O texto também menciona movimentações financeiras suspeitas envolvendo o Banco Master, o que a instituição nega.

Pedido de Convocação e Quebra de Sigilos

Um segundo requerimento, de autoria do deputado Alencar Santana (PT-SP), possui teor semelhante, mas pede a convocação de Zettel para depor. O parlamentar argumenta que a oitiva é indispensável para aprofundar o caso e compreender a participação de personagens e instituições envolvidas no escândalo. O requerimento mais incisivo, novamente de Rogério Correia, solicita ao Coaf relatórios de inteligência financeira e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Zettel, abrangendo o período de janeiro de 2019 a novembro de 2025. A justificativa menciona a existência de um possível esquema criminoso envolvendo filiações fraudulentas e descontos indevidos, com a Controladoria-Geral da União (CGU) indicando o uso de igrejas evangélicas para lavagem de dinheiro.

Disputa e Declarações dos Envolvidos

Deputados do PT afirmam que reforçarão a atuação para que os requerimentos envolvendo Zettel e a obtenção de dados do Coaf sejam deliberados. Alencar Santana declarou que insistirá na votação, ressaltando a necessidade de apurar suspeitas de descontos indevidos. O relator da CPI, Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a decisão sobre a pauta cabe à presidência, mas defende a investigação de qualquer indício, embora aponte que o foco inicial tem sido ouvir dirigentes do setor financeiro. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afastado por motivos de saúde, informou que retomará os trabalhos em fevereiro e avaliará as decisões.

A polêmica em torno do caso se intensificou após a senadora Damares Alves divulgar uma lista de igrejas e pastores mencionados em documentos da CPI, buscando rebater acusações de que estaria atacando instituições religiosas. O pastor Silas Malafaia criticou a exposição de nomes sem provas concretas, enquanto Damares sustentou que a lista apenas formalizava menções já presentes em requerimentos da comissão. Malafaia negou ter exercido pressão para blindar igrejas e questionou o presidente da CPI sobre eventual lobby de líderes evangélicos.

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