Mediação e Divulgação da Proposta
Em resposta à greve deflagrada por sindicatos de trabalhadores dos Correios em nove estados, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a ampla divulgação de uma proposta mediadora. O ministro Caputo Bastos, vice-presidente do TST, estabeleceu que as federações dos trabalhadores convoquem assembleias de urgência para que a categoria delibere sobre a proposta apresentada. A paralisação, que teve início na quarta-feira (17), é por tempo indeterminado e motivada por medidas adotadas pela estatal e pela ausência de acordo coletivo e reajuste salarial.
Estados em Greve e Adesão Parcial
Os sindicatos que aderiram à greve abrangem os estados do Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Apesar do movimento, 24 dos 36 sindicatos que representam os trabalhadores dos Correios não aderiram à paralisação, indicando uma adesão parcial e localizada.
Pontos Centrais da Proposta do TST
A proposta, construída em audiência de mediação entre o TST, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e as entidades sindicais, visa prevenir o acirramento de ânimos e garantir a continuidade dos serviços públicos. Entre os principais pontos estão:
- Assinatura imediata do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com renovação de 79 cláusulas, excluindo parágrafos específicos sobre ticket adicional.
- Reajuste salarial de 5,13% a partir de janeiro de 2026, com pagamento a partir de abril do mesmo ano, incluindo valores retroativos.
- Aplicação de 100% do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) a partir de agosto de 2026, referente ao período de agosto de 2025 a julho de 2026.
- Vigência do Acordo Coletivo de Trabalho pelo prazo de dois anos.
- Horas extras incidentes sobre o Repouso Semanal Remunerado.
O Que a Categoria Reivindica e Próximos Passos
Os sindicatos reivindicam reajuste salarial com reposição da inflação, manutenção de direitos históricos, adicional de 70% nas férias, 200% para trabalho aos fins de semana e um “vale-peru” de R$ 2.500. A ECT informou que todas as agências estão funcionando e as entregas seguem normais, com cerca de 91% do efetivo em atividade. A empresa adotou medidas contingenciais para garantir a continuidade dos serviços. Caso a proposta seja aprovada nas assembleias, uma audiência será realizada na próxima semana em Brasília para a assinatura do ACT. Se rejeitada, o processo retornará ao TST para novas negociações. A proposta do TST, validada pela Sest (Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais), busca um acordo com vigência de dois anos, preservando benefícios e a estabilidade dos empregados em um cenário econômico desafiador para a empresa.

