Tensão aumenta com ameaças e precauções
O chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã, Mohammad Pakpour, declarou que o país responderá aos Estados Unidos e a Israel “no momento apropriado”, acusando ambos os países de fomentarem os protestos antigovernamentais que eclodiram no Irã no final de dezembro. Em declarações à imprensa estatal, Pakpour afirmou que o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, são os responsáveis pela morte de jovens iranianos e pela instabilidade no país.
“A perpetuação do crime pelos seus mercenários nunca será esquecida e receberá uma resposta no momento apropriado”, disse o comandante, em um aviso que surge em meio a relatos de que militares americanos em uma base no Catar foram orientados a deixar o local como medida de precaução. Trump tem reiterado ameaças de ação militar contra o Irã pelo uso de força letal contra manifestantes.
Protestos: Do bazare à crise política
Os protestos, que representam o maior desafio ao regime iraniano em anos, iniciaram-se no final de dezembro em Teerã, com manifestações nos bazares contra a alta inflação. Rapidamente, as manifestações se espalharam pelo país, evoluindo para um protesto mais amplo contra o governo.
Inflação e descontentamento popular
O descontentamento popular foi agravado pelo aumento abrupto nos preços de produtos básicos, como óleo de cozinha e frango, que em alguns casos desapareceram das prateleiras. A decisão do banco central de suspender um programa que permitia a importadores acesso a dólares americanos a taxas mais favoráveis intensificou a crise, levando comerciantes a aumentar preços e, em alguns casos, a fechar seus estabelecimentos, desencadeando os protestos iniciais.

