Opas Alerta Para O Aumento De Coqueluche Nas Américas Desde 2023

Opas alerta para o aumento de coqueluche nas Américas desde 2023

Noticias do Dia

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta epidemiológico crucial sobre o aumento de casos de coqueluche na região das Américas, uma doença respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Desde 2023, diversos países têm observado um incremento significativo nas notificações, reacendendo a preocupação das autoridades de saúde pública. Este cenário exige vigilância redobrada e ações preventivas eficazes, especialmente porque a doença apresenta riscos consideravelmente maiores para crianças pequenas, que são mais suscetíveis a complicações graves e até mesmo a óbitos. A comunicação da OPAS visa mobilizar esforços para fortalecer a imunização e a detecção precoce, garantindo a proteção das populações mais vulneráveis em todo o continente.

A preocupante escalada da coqueluche na região

A coqueluche, também conhecida como tosse comprida, é uma infecção respiratória bacteriana que se manifesta principalmente por acessos severos de tosse, que podem ser seguidos de um som característico de “guincho” ao inspirar. Embora seja prevenível por vacina, a doença tem demonstrado uma capacidade de ressurgimento, especialmente em contextos de baixa cobertura vacinal ou imunidade declinante. O alerta da OPAS ressalta uma tendência preocupante que começou a ser observada de forma mais intensa a partir de 2023, com alguns países registrando aumentos de até 20 vezes no número de casos em comparação com anos anteriores à pandemia de COVID-19.

O cenário epidemiológico atual

Desde o início de 2023, diversos países das Américas, incluindo nações da América do Norte, Central e do Sul, têm reportado um crescimento alarmante nos casos de coqueluche. Este aumento não é homogêneo, mas a tendência geral indica uma circulação mais intensa do patógeno em múltiplos territórios. Especialistas apontam que fatores como a interrupção de campanhas de vacinação durante a pandemia, a diminuição da busca ativa por imunização e o declínio natural da imunidade em populações vacinadas há mais tempo podem estar contribuindo para esta escalada. A coqueluche é transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas respiratórias, o que a torna extremamente contagiosa em ambientes fechados ou de grande aglomeração. A detecção precoce é desafiadora, pois os sintomas iniciais podem ser confundidos com um resfriado comum, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento, e favorecendo a disseminação.

O risco ampliado para crianças

As crianças, particularmente os bebês com menos de seis meses de idade que ainda não completaram o esquema vacinal primário ou cuja imunidade materna é insuficiente, representam o grupo de maior risco para complicações graves da coqueluche. Nesses pequenos, a doença pode evoluir para quadros severos de pneumonia, apneia (parada respiratória), convulsões, encefalopatia (danos cerebrais) e, em casos extremos, levar à morte. A tosse intensa pode causar fraturas de costelas, hemorragias e desnutrição devido à dificuldade de alimentação. Por isso, a vacinação de gestantes é fundamental, pois os anticorpos produzidos pela mãe são transferidos para o feto, oferecendo proteção ao recém-nascido nos primeiros meses de vida, período mais vulnerável. A OPAS enfatiza que qualquer caso de coqueluche em lactentes deve ser tratado como uma emergência médica, exigindo intervenção rápida e monitoramento intensivo.

Medidas preventivas e a resposta regional

Diante do cenário de aumento dos casos de coqueluche, as autoridades de saúde e a população têm papéis cruciais na contenção da doença. A prevenção primária, por meio da vacinação, continua sendo a estratégia mais eficaz e custo-efetiva para proteger indivíduos e comunidades. Além disso, a vigilância epidemiológica e a capacidade de resposta rápida dos sistemas de saúde são essenciais para controlar surtos e evitar a propagação em larga escala. A conscientização pública sobre os riscos e as formas de prevenção também desempenha um papel fundamental na adesão às medidas recomendadas.

A importância crucial da vacinação

A vacina contra a coqueluche faz parte da vacina quádrupla bacteriana (DTP+Hib) ou pentavalente (DTP+Hib+Hepatite B) e é aplicada em crianças a partir dos dois meses de idade, com reforços posteriores. O cumprimento rigoroso do calendário vacinal é vital para garantir a proteção individual e coletiva, criando a chamada “imunidade de rebanho” que dificulta a circulação da bactéria. Para adolescentes e adultos, reforços com a vacina dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) são recomendados para manter a imunidade, especialmente para profissionais de saúde, cuidadores de crianças e gestantes. A vacinação de gestantes, idealmente entre a 20ª e a 36ª semana de gestação, é particularmente importante, pois protege o bebê nos primeiros meses de vida, quando ele ainda não pode ser vacinado e é mais suscetível às formas graves da doença. As campanhas de vacinação e a busca ativa por pessoas com esquemas vacinais incompletos são estratégias que precisam ser intensificadas.

Estratégias de controle e vigilância da OPAS

A OPAS tem trabalhado em estreita colaboração com os países membros para fortalecer a capacidade de resposta regional. As recomendações incluem o aprimoramento da vigilância epidemiológica para identificar e notificar rapidamente novos casos, a melhoria do acesso a diagnósticos laboratoriais para confirmação dos casos, o tratamento oportuno com antibióticos apropriados para reduzir a duração da infecciosidade e a gravidade da doença, e a implementação de campanhas de vacinação de recuperação para aqueles que perderam doses durante a pandemia. Além disso, a OPAS enfatiza a importância da educação pública sobre os sintomas da coqueluche e a necessidade de buscar atendimento médico imediato, especialmente para crianças com tosse persistente. A troca de informações entre os países da região é fundamental para monitorar a evolução da doença e ajustar as estratégias de controle conforme necessário, garantindo uma resposta coordenada e eficaz contra esta ameaça à saúde pública.

Continuidade da vigilância e proteção coletiva

O ressurgimento da coqueluche nas Américas serve como um lembrete contundente da importância ininterrupta da imunização e da vigilância em saúde pública. A ação coordenada entre governos, profissionais de saúde e a população é indispensável para reverter a tendência de aumento de casos. A proteção das crianças, o grupo mais vulnerável, deve ser a prioridade máxima. Investir na conscientização, garantir a disponibilidade e o acesso às vacinas, e fortalecer os sistemas de saúde para detectar e tratar a doença precocemente são passos cruciais. A experiência passada com o controle de doenças infecciosas demonstra que a união de esforços e o compromisso com a saúde preventiva são os pilares para assegurar o bem-estar coletivo e evitar que doenças preveníveis causem sofrimento e mortes desnecessárias. A coqueluche, embora antiga, continua a ser uma ameaça real quando a guarda da saúde pública é baixada.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. O que é coqueluche e quais são seus sintomas?
A coqueluche é uma doença respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Os sintomas iniciais são semelhantes aos de um resfriado comum (coriza, espirros, febre baixa e tosse leve), mas evoluem para acessos de tosse violentos e incontroláveis, que podem ser seguidos por um som de “guincho” ao inspirar. Em bebês, pode causar apneia (parada respiratória) e cianose (coloração azulada da pele).

2. Quem está mais em risco de contrair coqueluche e desenvolver complicações?
Bebês e crianças pequenas, especialmente aquelas com menos de seis meses de idade que ainda não completaram o esquema vacinal primário, são o grupo de maior risco para complicações graves e óbito. Adolescentes e adultos com imunidade decrescente também podem contrair a doença, embora geralmente apresentem sintomas mais leves.

3. Como a coqueluche pode ser prevenida?
A principal forma de prevenção é a vacinação. Crianças devem receber a vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche) ou pentavalente conforme o calendário vacinal. Adolescentes e adultos, principalmente gestantes e aqueles que têm contato próximo com bebês, devem receber a vacina dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) para reforçar a imunidade.

Mantenha-se informado sobre os alertas de saúde e proteja sua família. Consulte seu médico ou a unidade de saúde mais próxima para verificar o status vacinal e obter mais informações sobre a prevenção da coqueluche. A vacinação é um ato de cuidado individual e coletivo.

Fonte: https://veja.abril.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *