A Proposta em Debate
A discussão em torno do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, que visa alterar as regras para a progressão de regime de condenados, tem gerado controvérsias significativas. Segundo a analista de política da CNN, Clarissa Oliveira, a proposta carece de maturidade e enfrenta impasses jurídicos, especialmente no que diz respeito a crimes contra a democracia.
Críticas e Compromissos Políticos
Embora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tenha sinalizado a intenção de levar o projeto a votação, atendendo a setores da direita, a maioria dos especialistas considera a proposta prematura. O campo governista, em particular, se opõe a qualquer medida que possa ser interpretada como um afrouxamento das penas, levantando preocupações sobre a redução do tempo de cumprimento em regime fechado para crimes contra a democracia, que passaria de aproximadamente um quarto para um sexto da pena.
Impacto em Casos Relevantes e Divergências Jurídicas
A flexibilização proposta pelo PL da Dosimetria poderia afetar diretamente casos de grande repercussão. Um exemplo citado é o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, caso o projeto seja aprovado, poderia ter sua permanência em regime fechado reduzida para pouco mais de dois anos. Juristas alertam, no entanto, que a aplicação prática da lei pode ir além dos crimes contra a democracia, atingindo diversas outras categorias criminais, o que tem sido usado pelo governo para defender o adiamento da votação.
Polarização e Exemplos Históricos
A polêmica em torno do PL da Dosimetria reflete uma sociedade dividida, como demonstrado por manifestações contrárias ao projeto em diversas cidades. A discussão também reacende o debate sobre a proporcionalidade das penas, evocando casos como o de uma mulher condenada por pichar uma estátua da justiça com batom, uma sentença considerada desproporcional por muitos. Esses exemplos alimentam a necessidade de revisão das leis, mas a forma como essa revisão deve ocorrer permanece um ponto de divergência.

