SP sem Água: Calor Extremo Pressiona Sistema e Deixa Bairros a Seco
Moradores Relatam Dias Sem Abastecimento e Desespero em Meio à Onda de Calor
São Paulo enfrenta uma crise hídrica agravada pelo calor extremo nos últimos dias do ano. Consumidores na capital e na região metropolitana têm relatado dias seguidos sem fornecimento de água pela Sabesp, com pouca clareza sobre a normalização do serviço. A companhia atribui as interrupções a “oscilações pontuais” causadas pelas altas temperaturas e pelo período de férias, que aumentaram a demanda.
Regiões Mais Altas e Demanda Elevada: A Combinação Perigosa
Segundo a Sabesp, as áreas mais elevadas da cidade são as mais afetadas devido à menor pressão na rede de distribuição. Enquanto isso, a demanda por água atingiu patamares recordes. Entre 14 e 20 de dezembro, a produção foi de cerca de 66 mil litros por segundo, subindo para 72 mil litros por segundo no dia 24. Essa elevação, combinada com a menor pressão nas zonas mais altas, intensifica o problema.
Relatos de Desespero e Ligações Clandestinas
Norma Lima, diarista de 52 anos moradora do Jardim da Luz, em Embu das Artes, relatou ao GLOBO estar há cinco dias sem água. A situação a impediu de comemorar o Natal adequadamente, com louças acumuladas e a caixa d’água vazia. Ela e os vizinhos têm recorrido à água de uma bica para tarefas básicas, que consideram inadequada até para cozinhar. A indignação aumenta com a constatação de que algumas casas na comunidade ainda recebem água da Sabesp por meio de ligações clandestinas (“gatos”), enquanto os pagantes ficam desabastecidos.
Críticas à Privatização e Alerta de Redução de Consumo
A falta d’água também afeta diversos bairros da capital, como o Butantã, na Zona Oeste. Nas redes sociais, a privatização da Sabesp pelo governador Tarcísio de Freitas tem sido alvo de críticas. Em resposta à crise, o governo do Estado emitiu um alerta pedindo a “redução imediata do consumo de água”. A recomendação inclui banhos mais curtos e a suspensão de usos não essenciais, como lavar calçadas e carros. O governo informa que o aumento de até 60% no consumo, segundo a Sabesp, impactou os níveis dos mananciais, em um cenário de um dos menores índices de chuvas dos últimos anos.
Medidas de Gestão Hídrica e Redução da Pressão Noturna
Desde agosto, o Governo de São Paulo, em parceria com a Arsesp, implementou a redução da pressão da água no período noturno na região metropolitana para preservar os mananciais. Inicialmente, a redução ocorria por oito horas, das 21h às 5h. A partir de 22 de setembro, o período foi ampliado para das 19h às 5h. Segundo o Palácio dos Bandeirantes, essas medidas de gestão hídrica garantem uma economia diária equivalente a mais de 1,2 milhão de caixas-d’água de 500 litros.

