Violência Doméstica e Digital em Ascensão
Uma alarmante pesquisa divulgada pela Agência dos Direitos Fundamentais (FRA) e pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Gênero (EIGE) revela que uma em cada três mulheres na União Europeia já experimentou alguma forma de violência ao longo da vida. Os dados, coletados entre setembro de 2020 e março de 2024 através de mais de 114.000 entrevistas com mulheres entre 18 e 74 anos, mostram a gravidade do problema.
O estudo detalha que quase 30% das mulheres relataram ter sofrido humilhações, ameaças ou controle por parte de seus parceiros. Além disso, cerca de 10% foram agredidas fisicamente pelo companheiro, e 17,2% enfrentaram violência sexual. A violência digital também se destaca, com 8,5% das entrevistadas reportando cyberbullying e 10,2% sendo alvo de espionagem ou assédio online por parte de parceiros.
Barreiras na Denúncia e o Contexto Europeu
Um dos pontos mais preocupantes do relatório é a baixa taxa de denúncias às autoridades policiais. Vergonha, medo e a desconfiança nas instituições são os principais fatores que levam as vítimas ao silêncio. Este é o segundo grande estudo sobre o tema, sucedendo a pesquisa de 2014, e busca atualizar o panorama da violência contra as mulheres na Europa.
A pesquisa, realizada em conjunto com o Eurostat, incluiu a possibilidade de autodeclaração de gênero, permitindo a participação de mulheres transgênero. Apesar da ratificação da Convenção de Istambul pela maioria dos países da UE desde sua entrada em vigor em 2014, cinco Estados-membros – Bulgária, República Tcheca, Hungria, Lituânia e Eslováquia – ainda não aderiram a este importante instrumento jurídico voltado para o combate à violência contra as mulheres.

