A jornada de Bella Campos rumo à aceitação capilar
A atriz Bella Campos compartilhou em recente entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, do jornal O Globo, detalhes sobre sua transição capilar e a construção de sua autoestima. Recentemente, Campos adotou um corte de cabelo bem curto, mas relembrou os desafios enfrentados na adolescência para alisar seus cachos naturais.
“Na minha infância, todas as mulheres da minha casa e ao meu redor alisavam o cabelo. Queria ter o cabelo liso”, confessou a atriz. Ela relatou que os elogios recebidos na escola após alisar os fios reforçavam essa decisão. Fugindo de um estereótipo de “garota nerd”, marcado pelos óculos e pela magreza, o cabelo liso se tornou uma tentativa de se encaixar em outro padrão.
A virada de chave e o poder do cabelo natural
A mudança de perspectiva começou com o surgimento de blogueiras que celebravam os cabelos cacheados. “Comecei a fazer a minha transição. Foi ótimo e sou muito feliz”, afirmou Campos, destacando a importância desse processo para sua autoconfiança.
O orgulho de ver sua irmã de 15 anos amar seus “cabelos cacheadões enormes” é, para Bella, “a maior vitória”. Ela também se sente realizada ao observar mulheres de diferentes idades reproduzindo o corte de sua personagem Maria de Fátima, o que, segundo ela, “preenche muito o meu coração”.
Autovalorização como ferramenta contra a opressão
Bella Campos ressaltou o poder transformador da mulher que se conhece, se gosta e se cuida. “O céu é o limite”, declarou, argumentando que a sociedade machista busca perpetuar inseguranças para manter o controle.
“Querem nos insegura. Porque no momento em que a gente se sente segura, a sociedade machista começa a se abalar”, explicou. Ela criticou a ênfase em padrões estéticos de corpo, pele e cabelo, que desviam o foco de questões mais importantes. “Querem ocupar a nossa cabeça com esse tipo de pressão estética para que a gente não tenha tempo de pensar politicamente”, alertou.
O papel da representatividade e da consciência política
A atriz mencionou a discrepância entre a alta participação feminina nas urnas e a eleição majoritária de homens, sugerindo que a pressão estética impede um debate político mais aprofundado entre as mulheres.
Campos também celebrou a oportunidade de interpretar a enfermeira Marlene no filme “Cinco tipos de medo”, rodado em sua cidade natal, Cuiabá. A representatividade em tela, especialmente ao dar vida a personagens que dialogam com sua origem e vivências, é um aspecto fundamental em sua carreira.

