Crítica Interna e Diagnósticos Divergentes
Uma recente reunião entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, expôs divergências internas sobre a percepção da crise que afeta a Corte. Interlocutores mais políticos da ala dos ministros descreveram a visão de alguns colegas como estando em um “absoluto outro mundo”, demonstrando incredulidade diante da aparente minimização dos problemas.
O encontro, realizado na residência oficial do Senado, serve como um termômetro para os magistrados analisarem o cenário político, especialmente diante da possibilidade de processos de impeachment contra membros do STF. No início de abril, o foco da discussão teria sido o ministro Edson Fachin, com o diagnóstico de que a crise de imagem sem precedentes do Judiciário seria, em parte, culpa do próprio presidente do STF.
Toffoli Impedido e Fachin na Mira
Segundo relatos obtidos por VEJA, uma parte dos ministros avaliou que o cenário de críticas se amenizaria com a declaração de impedimento do ministro Dias Toffoli em casos relacionados ao Banco Master, devido a relações comerciais com o fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. No entanto, a percepção de que o desgaste ainda persiste estaria ligada à escolha de Fachin de priorizar a adoção de um código de ética para os magistrados em sua gestão.
O Cerco Persiste e a Exploração Política
A realidade, contudo, aponta para um cenário oposto à visão otimista. O cerco ao STF está longe do fim, com a negociação de acordos de delação premiada envolvendo figuras ligadas ao Banco Master. Além disso, desgastes como o uso de jatinhos particulares por ministros e as incertezas sobre o que o ex-dono do Master pode revelar mantêm o STF sob os holofotes da política e das eleições.
Prévias candidaturas ao Senado, especialmente em partidos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, já utilizam a defesa do impeachment de ministros do STF como plataforma eleitoral. Um magistrado, que defende uma reforma no Judiciário, lamentou: “Eles estão achando que tudo é normal e que vão conseguir resolver”.
A Proposta de Reforma Abrangente
A ideia de uma reforma no Judiciário tem ganhado força, encampada por figuras como o ministro Flávio Dino e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A estratégia, segundo um dos ministros presentes nas discussões, é despersonalizar o debate. “É uma questão de abordagem: se falar em reformar só o Supremo, ninguém do Supremo vai concordar, mas tratar de uma ampla reforma do Judiciário, do início ao fim, é mais palatável e despersonaliza”, explicou.

