A ascensão de Jorge Jesus em 2019 marcou o início de uma nova era para técnicos portugueses no Brasil. Embora o número de lusitanos na Série A tenha variado, com picos de maioria estrangeira, a temporada atual destaca um grupo de cinco portugueses, com três deles à frente de gigantes econômicos e atuais protagonistas do campeonato: Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro. Leonardo Jardim, Abel Ferreira e Artur Jorge representam abordagens diferentes, mas compartilham a alta expectativa de seus clubes.
Atualmente, cinco treinadores portugueses compõem 25% do elenco da Série A, ao lado de 12 brasileiros e oito estrangeiros de outras nacionalidades. Além do trio nos clubes de ponta, Luís Castro (Grêmio) e Franclim Carvalho (Botafogo) também integram este grupo seleto. A presença lusitana se consolida em um cenário onde argentinos também têm espaço, com Luis Zubeldía (Fluminense) e Eduardo Domínguez (Atlético-MG), e um uruguaio, Paulo Pezzolano (Internacional).
Projetos e resultados em diferentes estágios
Leonardo Jardim, após uma passagem pelo Cruzeiro em 2025 e um período afastado, ressurgiu no Flamengo. Aos 51 anos, o técnico assumiu o posto vitorioso de Filipe Luís, campeão da Libertadores e do Brasileirão, e em menos de dois meses conquistou o Campeonato Carioca, apaziguou os bastidores e elevou o desempenho da equipe, acumulando sete vitórias consecutivas e um aproveitamento de 82%.
Abel Ferreira, por outro lado, personifica a longevidade em meio ao imediatismo do futebol brasileiro. Anunciado pelo Palmeiras em outubro de 2020, ele recentemente completou dois mil dias no comando do clube, o quinto trabalho mais duradouro no país e o mais vitorioso da história palmeirense, com 11 títulos. Seu contrato estendido até o fim de 2027, com o aval da presidente Leila Pereira e da torcida, indica uma permanência sólida.
Artur Jorge, após um sucesso meteórico com o Botafogo em 2024, coroado com títulos, retornou ao Brasil para comandar o Cruzeiro. Anunciado no fim de março, teve seu vínculo renovado até o final de 2030, demonstrando a confiança da diretoria em um projeto de longo prazo. O dono da SAF celeste, Pedro Lourenço, destacou a importância de Artur Jorge como um alicerce para o clube, ressaltando a dificuldade em encontrar profissionais de seu calibre no mercado atual.
A teia de agentes e a influência portuguesa
O trio de técnicos à frente de Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro compartilha os mesmos agentes: os portugueses Hugo Cajuda e Bruno Santos. Por meio de suas agências, que atuam em parceria, eles facilitam a chegada de compatriotas ao futebol brasileiro, como demonstrado na contratação de Franclim Carvalho, ex-auxiliar de Artur Jorge, pelo Botafogo. A relação de José Boto, diretor de futebol do Flamengo, com os técnicos portugueses também desempenhou um papel crucial na vinda de Jardim. Apesar de outros nomes como Renato Paiva, Bruno Lage e Vítor Pereira terem tido passagens menos bem-sucedidas, a consolidação de Luís Castro, com sua experiência acumulada, e a presença marcante dos atuais comandantes evidenciam a força da escola portuguesa no cenário nacional.

