Cuba: A Contradição do Lucro Militar em Meio à Fome Generalizada
O Conglomerado Sombra que Controla a Economia e a Alimentação
Em uma ironia que reflete as complexidades do sistema cubano, o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), uma holding de fachada para as Forças Armadas Revolucionárias, opera com lógica capitalista focada no lucro, mas beneficia exclusivamente a cúpula militar. Este conglomerado, envolto em opacidade, detém o controle sobre todas as atividades geradoras de divisas no país, incluindo turismo, comércio exterior e as controversas missões médicas internacionais. Avaliado em 17,9 bilhões de dólares, o Gaesa é apontado pelo observatório Food Monitor Program como um dos principais responsáveis pela desesperadora situação alimentar em Cuba.
Exportação de Recursos e Monopólio Alimentar: A Receita da Crise
A estratégia do Gaesa prioriza a exportação de todos os recursos naturais com potencial de gerar divisas, em detrimento da produção interna. Paralelamente, o conglomerado exerce um monopólio absoluto sobre a importação e distribuição de alimentos. Essa concentração de poder sobre todo o ciclo alimentar ocorre em um país onde a produção agrícola é um fracasso retumbante, com Cuba importando cerca de 80% dos alimentos que consome. Nos últimos cinco anos, a produção agrícola sofreu uma queda drástica de 67%, segundo o Food Monitor Program, cenário agravado pelo bloqueio americano de combustíveis, que tornou a energia um luxo raro em vez de um serviço básico.
Gaesa: Um Estado Paralelo com Influência Política
Criado nos anos noventa para suprir as necessidades financeiras das Forças Armadas, o Gaesa expandiu-se exponencialmente, tornando-se um verdadeiro “Estado paralelo” dominado por um pequeno grupo de elite, segundo especialistas. A presidência está a cargo da general Ania Guillermina Lastres, com Raúl Castro e seus aliados exercendo influência decisiva. Essa estrutura de poder sugere que o Gaesa terá um papel crucial em quaisquer negociações futuras com os Estados Unidos, cujas intenções de uma maior abertura ou de uma mudança estrutural no regime permanecem incertas.
Pressão Internacional e o Futuro de Cuba
O aumento da pressão sobre Cuba faz parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump para a América Latina, visando conter a influência chinesa, desmantelar regimes de esquerda e combater o crime organizado. Embora Cuba não enfrente o flagelo do narcotráfico, como outros países da região, sua proximidade com uma grande comunidade de exilados nos Estados Unidos, disposta a investir na recuperação do país, pode ser um fator de negociação. No entanto, o estado de extrema necessidade da maioria da população cubana pode limitar o espaço para manobras políticas, forçando uma combinação de ajustes econômicos e concessões para aliviar a fome e a miséria impostas pelo que é descrito como um “estelionato socialista”.

