Medida com Apelo Popular Gera Estratégia Defensiva no Bolsonarismo
A decisão do governo Lula de zerar a chamada “taxa das blusinhas”, através de uma Medida Provisória assinada nesta terça-feira, pegou de surpresa e gerou um impasse na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A suspensão imediata da cobrança de 20% sobre produtos importados de até 50 dólares cria um paradoxo para a narrativa bolsonarista, que busca capitalizar em temas de forte apelo popular, mas teme um “tiro pela culatra” com a perda de eleitores.
O Dilema da Popularidade e a Contradição Histórica
O cerne da questão reside na necessidade de o bolsonarismo reagir à medida, que tem potencial para gerar boa recepção pública, sem, no entanto, ser associado a uma aprovação que poderia prejudicar a imagem opositora. Há quem lembre que o próprio bolsonarismo foi majoritariamente contra a criação da taxa, o que, paradoxalmente, poderia ser explorado por críticos como uma contradição caso a derrubada seja defendida agora.
Foco em Críticas aos Atos Sequenciais do Governo
Diante desse cenário, a estratégia de comunicação adotada pela campanha de Flávio Bolsonaro não deve focar diretamente na MP que zerou a taxa. Em vez disso, o discurso tende a se concentrar nos atos subsequentes do governo Lula. A narrativa bolsonarista deve reforçar a ideia de que o governo “está entregando o país em prol da reeleição”, caracterizando a medida como uma “tentativa desesperada de frear o avanço de Flávio nas pesquisas”.
Pacote Econômico e Efeito Reverso no Futuro
O pacote de medidas econômicas do governo, que inclui também a PEC que promove o fim da escala 6×1, deve ser citado como parte de um conjunto de ações que podem ter um efeito reverso no futuro. A crítica se concentrará em alertar para possíveis consequências negativas dessas medidas a longo prazo, buscando minar a popularidade do governo e, ao mesmo tempo, desviar o foco do dilema gerado pela “taxa das blusinhas”.

