Vírus Sabiá: Variante Desconhecida Por Testes Antigos Circula Há 142 Anos No Brasil E Causa Mortes

Vírus Sabiá: Variante desconhecida por testes antigos circula há 142 anos no Brasil e causa mortes

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Circulação antiga e modificação genética

O vírus Sabiá (SABV), responsável por uma síndrome hemorrágica e neurológica aguda, tem uma longa história de circulação no Brasil, com evidências apontando sua presença há pelo menos 142 anos. Um estudo recente revelou que o vírus sofreu variações genéticas ao longo do tempo, o que o tornou indetectável pelos testes diagnósticos convencionais. Essa modificação é uma das razões pelas quais casos anteriores podem não ter sido identificados corretamente.

Novos casos e a importância da metagenômica

Análises de dois casos registrados em 2019 e 2020, ambos com desfecho fatal em São Paulo, foram cruciais para a descoberta. Um paciente de 52 anos de Sorocaba, com histórico de contato com áreas de mata, faleceu em janeiro de 2020. Inicialmente, testes para febre amarela e para o vírus Sabiá deram negativo. A identificação do SABV só foi possível através da análise metagenômica, uma técnica avançada que permite detectar diversos microrganismos em uma amostra sem a necessidade de saber previamente o que procurar.

Descoberta em outros casos e validação de testes

Após a identificação do vírus em Sorocaba, os pesquisadores reanalisaram amostras de sete outros pacientes que apresentaram sintomas semelhantes e cujos testes iniciais foram negativos para outras doenças. Um desses casos foi o de um trabalhador rural de 63 anos de Assis, falecido em dezembro de 2019. Em ambos os pacientes, foram observadas alterações na proteína que o vírus utiliza para se ligar às células humanas. Análises filogenéticas confirmaram que o vírus circula no Brasil há décadas, não sendo uma introdução recente.

Avanços no diagnóstico e riscos futuros

A pesquisa, realizada pelo Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE), desenvolveu novos primers – fragmentos de DNA usados em testes laboratoriais – que permitem a detecção das cepas circulantes do vírus Sabiá. A coordenadora do CADDE, Ester Sabino, destaca a importância de conhecer o vírus, desenvolver testes atualizados e estudar suas mutações para antecipar futuros casos e surtos. O SABV é considerado um vírus de alto risco de transmissão por aerossóis em laboratório, exigindo rigorosos protocolos de biossegurança para sua manipulação.

A espécie reservatório do vírus Sabiá ainda é desconhecida, mas suspeita-se que sejam roedores silvestres. As infecções ocorrem em áreas rurais, onde a interação entre animais e humanos é mais frequente. A metagenômica tem se mostrado essencial na detecção de patógenos raros ou inesperados, especialmente quando testes tradicionais falham, reforçando o papel da vigilância genômica na proteção da saúde pública.

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