O Exílio Estratégico de Bacellar
Desde dezembro, quando se tornou alvo da Polícia Federal, o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), tem mantido uma reclusão autoimposta em sua residência em Teresópolis. Mesmo com autorização para frequentar as sessões parlamentares após ser solto com tornozeleira eletrônica, Bacellar optou por uma licença, evitando o embate direto na Alerj e concentrando-se em sua defesa jurídica. Contudo, sua ausência física não diminui sua influência; ele permanece como um jogador crucial no cenário político fluminense, com o poder de facilitar ou dificultar as ambições da base governista e do Centrão na eleição suplementar que se avizinha com a saída antecipada de Cláudio Castro (PL) do governo.
A Tensão pela Renúncia e o Cenário Eleitoral
Políticos do PL e uma ala do Centrão admitem, nos bastidores, que a renúncia de Bacellar seria o cenário ideal. Tentativas de convencê-lo a deixar o cargo já ocorreram, com inclusive pedidos de intervenção ao governador Cláudio Castro, que tem evitado se envolver. A saída do deputado é vista como uma forma de neutralizar a possibilidade de o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Ricardo Couto, permanecer no governo por um período prolongado em caso de judicialização da eleição-tampão. Se Bacellar renunciar, a Alerj poderia eleger um novo presidente para administrar o estado até a escolha do governador substituto. Ricardo Couto, por sua vez, sinalizou que suas ações se limitarão a despesas correntes, demonstrando uma postura austera diante da instabilidade.
Os Planos de Bacellar e a Esperança de Retorno
Aliados de Rodrigo Bacellar afirmam que seus planos são outros. O deputado ainda nutre o desejo de reassumir a presidência da Alerj, considerando a renúncia um “suicídio político”. Afastado por suspeita de vazar informações de uma operação da PF ao ex-deputado TH Joias, Bacellar demonstra otimismo com a demora da PF em entregar o laudo pericial de seu celular ao STF, interpretando a ausência de provas contundentes como um sinal positivo. Enquanto aguarda um parecer do Ministério Público Federal sobre o pedido de revogação das medidas cautelares, o deputado segue ativo na articulação política, mantendo a presidência do diretório estadual do União Brasil e explorando a possibilidade de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) ou uma candidatura a deputado federal.
Disputas Internas e Articulações em Curso
A situação se complica com as divergências internas no PL, que busca manter o controle do estado em ano eleitoral. O partido prefere que um aliado assuma a presidência da Alerj e, consequentemente, o governo. O PSD e o PSOL já anunciaram a intenção de questionar judicialmente as regras da eleição indireta, o que pode gerar atrasos. O entorno do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), também se movimenta para travar uma guerra judicial e impedir o acesso dos adversários ao caixa do estado. Enquanto o PL debate internamente quem lançar para o mandato-tampão, Paes articula alianças com o Centrão e o MDB, buscando fortalecer sua posição na disputa pelo governo em outubro. A federação PP-União Brasil, liderada por Bacellar, pode ter liberdade para definir seus apoios, seguindo um caminho nacional. Bacellar, por sua vez, pretende manter-se estratégico, com a convicção de que um político deve comandar o processo sucessório. Sua influência na Alerj é considerada significativa, com a capacidade de “dez deputados nas mãos”, o que o posiciona como um fator determinante nos próximos desdobramentos da política fluminense.

