Estratégia defensiva antecipada pela PGR
O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, sinalizou a principal tática que espera ser empregada pela defesa no julgamento do caso Marielle Franco: a tentativa de desqualificar a delação premiada de Ronnie Lessa e o depoimento de Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curicica. Chateaubriand Filho destacou que ambos, por conhecerem profundamente o universo do crime organizado, são peças-chave para elucidar os detalhes da execução da vereadora.
O peso do testemunho de Curicica e a corrupção policial
Apesar do histórico de Curicica como miliciano, Hindenburgo Chateaubriand Filho ressaltou que seu depoimento, prestado como testemunha sem benefícios penais, ganha força ao apontar para a corrupção policial na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) na época do crime. O vice-procurador lembrou que o relato de Curicica não é isolado, citando o depoimento do delegado Brenno Carnevale, que atuou na DHC e relatou episódios de sabotagem em investigações, incluindo o caso do assassinato do policial militar Marcos Vieira de Souza. Carnevale mencionou que o então chefe da DHC, Rivaldo Barbosa, chegou a oferecer “ajuda” no caso.
Paralelo internacional e a importância de colaboradores
Para reforçar a validade de depoimentos de criminosos em investigações complexas, Hindenburgo Chateaubriand Filho traçou um paralelo com investigações contra a máfia italiana, como a ‘Ndrangheta. Ele explicou que, nesses casos, a colaboração de membros e testemunhas é fundamental para desvendar as estruturas e os modus operandi de organizações criminosas poderosas. Sem as informações de quem conhece o funcionamento interno dessas engrenagens, seria praticamente impossível reunir provas contra tais esquemas.
Coerência e relevância das declarações
O vice-procurador defendeu enfaticamente o valor das declarações de Orlando Curicica, afirmando que, assim como outros colaboradores que ajudaram a desvendar o crime organizado, ele se tornou um “arrependido” cujos testemunhos expõem as estruturas e os participantes de organizações criminosas. Chateaubriand Filho enfatizou que a coerência dos depoimentos de Curicica com as provas coletadas nos autos é o que realmente importa, independentemente de seu passado. Ele também reiterou a relevância das informações fornecidas por Ronnie Lessa, muitas das quais foram confirmadas durante a investigação.

