Raízen Em Risco: Acionistas E Credores Divididos Em Propostas Para Evitar Recuperação Judicial

Raízen em Risco: Acionistas e Credores Divididos em Propostas para Evitar Recuperação Judicial

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A Raízen, maior produtora mundial de etanol de cana-de-açúcar e com mais de R$ 55 bilhões em dívidas, enfrenta um momento crítico. Acionistas e credores buscam evitar a recuperação judicial, mas propostas distintas dos principais acionistas, Cosan e Shell, criam um impasse que atrasa a definição de um plano de salvação. A situação é tão delicada que chegou a ser discutida em reunião com o Presidente Lula.

Propostas Divergentes: Shell vs. Cosan e BTG Pactual

A Shell, vendo a Raízen como sua principal aposta em energia limpa, propõe uma injeção de US$ 3,5 bilhões e a manutenção da estrutura atual da empresa, que engloba produção de etanol e distribuição de combustíveis, incluindo os cerca de 9 mil postos da marca no Brasil, Paraguai e Argentina. No entanto, as ações da Raízen na B3 acumulam perdas significativas, caindo 62% nos últimos 12 meses e 19,7% neste ano até fevereiro.

Em contrapartida, a Cosan, controlada por Rubens Ometto, e o BTG Pactual, seu maior acionista individual, defendem a divisão da Raízen em duas unidades de capital aberto: uma para produção de etanol e outra para distribuição de combustíveis. A Cosan e o BTG também se propõem a injetar capital, mas em menor volume que a Shell. A proposta prevê um aporte de R$ 500 milhões de Ometto e R$ 1 bilhão do BTG via fundos de investimento. Fontes indicam que o BTG teria interesse em assumir o controle da distribuidora caso a cisão ocorra.

Credores Exigem Aporte Maior e Rejeitam Oferta Atual

Os credores da Raízen, incluindo grandes instituições financeiras como Bank of America, Citigroup, J.P. Morgan e Mitsubishi UFJ Financial Group, não veem as propostas dos acionistas como suficientes. Eles pressionam por um aporte de capital de R$ 25 bilhões, valor que consideram necessário para restabelecer o equilíbrio financeiro da companhia. A oferta de R$ 5 bilhões apresentada pelos acionistas foi rejeitada pelos credores, que também poderiam converter cerca de 30% de seus títulos em ações.

Especialistas e o Futuro da Raízen

Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, aponta que a injeção de capital dos controladores é o principal caminho para o socorro, mas considera improvável uma oferta de ações ou a estratégia de divisão da empresa. Analistas do Bradesco BBI avaliam que a divisão pode avançar, mas ainda há incertezas sobre a conversão de dívida em capital e o plano de recuperação para os negócios de açúcar e etanol, considerados mais frágeis. O JPMorgan classificou a situação como uma “reestruturação complexa”.

Impacto da Recuperação Judicial e Posicionamento da Shell

Uma recuperação judicial da Raízen afetaria os planos da Shell no promissor segmento de energia limpa, um mercado crucial para a empresa, especialmente no Brasil. A Raízen tem enfrentado dificuldades devido a juros elevados, safras abaixo do esperado e investimentos agressivos, o que resultou em rebaixamentos de crédito e quedas em seus títulos. A empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano passado e, em fevereiro, alertou para uma “incerteza relevante” sobre sua capacidade de continuar operando.

Em nota, a Shell reconheceu os desafios financeiros da Raízen e afirmou estar trabalhando com as lideranças da empresa e da Cosan para apoiar a redução do endividamento. A prioridade, segundo a Shell, é garantir que a Raízen encontre soluções definitivas para a joint venture, acionistas e demais partes interessadas.

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