Alerta no Campo: Tensão no Oriente Médio Impacta Preços de Combustíveis e Insumos Agrícolas
A escalada das tensões no Oriente Médio acende um alerta vermelho para o agronegócio brasileiro, com impactos diretos e imediatos nos custos de produção. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que o principal efeito da crise regional, no momento, reside no encarecimento do petróleo, dos fertilizantes nitrogenados e do frete marítimo. A região é estratégica para o fornecimento global de energia e insumos agrícolas, concentrando cerca de 20% do comércio internacional de petróleo e gás natural, 30% dos fertilizantes e entre 25% e 35% do comércio global de amônia e ureia. Qualquer interrupção no Estreito de Ormuz pode rapidamente pressionar os preços internacionais, afetando o mercado brasileiro.
Diesel em Alta: CNA Pede Aumento da Mistura de Biodiesel para Mitigar Pressão
O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, destaca que a principal preocupação imediata é a alta do petróleo, que saltou de cerca de US$ 70 para US$ 86 o barril em poucos dias. Esse movimento impacta diretamente o campo em um período crucial do calendário agrícola, com a colheita da soja e o plantio do milho em andamento. Um levantamento da CNA indica que, entre o fim de fevereiro e o início de março, o barril do Brent subiu 27%, enquanto a ureia no Brasil avançou 33%. Diante desse cenário, a entidade solicitou ao Ministério de Minas e Energia a elevação imediata da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, de 15% para 17%, como medida para conter parte da pressão sobre o combustível essencial para as operações agrícolas e o transporte. Lucchi classifica o diesel como o ponto mais crítico e sensível para o setor neste momento.
Fertilizantes e Exportações: Impacto Previsto para o Segundo Semestre e Cadeia de Proteína Animal na Mira
Na frente dos insumos, a atenção se volta para os fertilizantes nitrogenados, nos quais o Brasil tem alta dependência de fornecedores da região, como Irã e Omã. Lucchi pondera que o abastecimento da segunda safra de milho já está garantido, mas o impacto mais relevante nos fertilizantes deve ocorrer no segundo semestre, quando os produtores começarem a fechar compras para a safra 2026/2027. No comércio exterior, o principal ponto de atenção no curto prazo é o milho exportado ao Irã, que representa 68% das vendas brasileiras ao país. No entanto, o risco imediato é menor, pois o pico histórico desses embarques ocorre entre agosto e janeiro. A cadeia de proteína animal, especialmente a carne de frango, é a mais exposta neste momento, com cerca de 30% das exportações destinadas à região. Empresas já buscam rotas alternativas para contornar dificuldades logísticas, apesar do aumento de fretes e seguros.
Cenário Exige Acompanhamento, Não Pânico
Para a CNA, o cenário exige acompanhamento permanente, mas ainda não justifica uma reação precipitada. Lucchi ressalta que a evolução do conflito pode alterar rapidamente os custos e a logística do comércio agrícola global. No caso da carne bovina, o impacto tende a ser mais limitado, com o Oriente Médio respondendo por uma parcela menor das exportações brasileiras em comparação a outros mercados. Estimativas de alta de 30% a 40% no frete são consideradas exageradas pela entidade, pois o impacto concreto nas rotas globais ainda não se materializou. O setor, portanto, deve manter-se vigilante, mas sem ceder ao pânico diante da complexidade da situação geopolítica.

