Uma Conexão que Transcende o Romance
A história de Allann Seabra e Ian Duarte, ambos de 36 anos, é um entrelaçamento de amor e paixão pela arte. O que começou com um simples pedido de ajuda para guardar obras em 2013, no centro de São Paulo, evoluiu para um relacionamento de uma década e, mais significativamente, para a fundação e o sucesso da Galeria Verve. Hoje, o casal define o negócio como uma “empresa familiar”, onde o crescimento da galeria caminha lado a lado com o fortalecimento de sua união.
Superando Barreiras e Afirmando Identidades
No início de sua jornada juntos, Allann e Ian enfrentaram conselhos para que não demonstrassem publicamente sua relação, temendo que a galeria fosse associada a um “espaço gay”. No entanto, em vez de ceder à pressão, o casal optou por reafirmar sua identidade. “Não sei diferenciar o que veio antes (o trabalho ou o relacionamento), foi uma construção única”, afirma Ian, evidenciando a simbiose entre sua vida pessoal e profissional. Essa autenticidade se tornou um pilar para a Verve.
Reconhecimento Internacional e Consolidação no Mercado
Nos últimos meses, a Galeria Verve tem colhido os frutos de seu trabalho árduo e dedicação. Obras de artistas representados pela galeria foram incorporadas a acervos de instituições de prestígio mundial. Mayara Ferrão, com suas imagens queer criadas por inteligência artificial, agora faz parte do acervo do MoMA, em Nova York, e do Photo Museum, na Bélgica. Randolpho Lamonier teve uma obra adquirida pelo MAC de Lyon, na França, e um livro de gravuras de Francisco Hurtz foi incorporado à coleção da Bibliothèque Kandinsky, no Pompidou, em Paris. A galeria também expandiu sua presença em feiras internacionais e dobrou de tamanho em sua sede paulistana.
Um Projeto de Vida em Comum
A “maratona” de internacionalização da Verve, que recentemente levou o casal a períodos de distância inéditos por conta do trabalho, reflete o comprometimento com um projeto comum. “Está grudado o que a gente sente um pelo outro, no amor, com o que sentimos pela galeria. Sempre falo que ele (Ian) entrou em um sonho meu”, declara Allann. Essa dedicação se estende à relação com os artistas, como destaca Mayara Ferrão: “O diálogo é constante e acontece com abertura, o que fortalece não apenas a circulação do trabalho, mas também a elaboração conceitual ao longo do tempo”. A proximidade com colecionadores, que sentem a atenção e o entendimento de seu perfil por parte dos galeristas, coroa essa abordagem humanizada e bem-sucedida.

