Interesse Estratégico no Subsolo Venezuelano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou de lado as justificativas iniciais de combate ao “narcoterrorismo” para expor abertamente o interesse americano na vasta riqueza petrolífera da Venezuela. Em declarações proferidas em seu resort na Flórida, Trump afirmou que os EUA irão “tomar o petróleo de volta”, sugerindo que essa ação deveria ter ocorrido há muito tempo. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, superando países como Arábia Saudita e Irã, um recurso explorado por companhias americanas por décadas antes da nacionalização sob o governo de Hugo Chávez em 2009.
Planos para a Indústria Petrolífera Pós-Maduro
Trump anunciou planos para que os Estados Unidos assumam um papel de governança provisória na Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro. Embora os detalhes sejam escassos, o presidente americano declarou que as despesas públicas do país seriam cobertas por investimentos de grandes petroleiras americanas. “Nossas gigantescas companhias petrolíferas americanas, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares e consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado”, disse Trump, criticando a gestão atual e prometendo aumentar a produção de petróleo.
Violação do Direito Internacional e da Constituição Americana
Apesar das denúncias de autoritarismo, censura e manipulação eleitoral contra o regime de Maduro, a intervenção militar americana levanta sérias questões sobre a legalidade. A Carta das Nações Unidas autoriza ações militares apenas em casos de legítima defesa ou com aprovação do Conselho de Segurança, que não foi consultado. Adicionalmente, a Constituição dos Estados Unidos exige autorização do Congresso para intervenções militares em estados soberanos. Trump demonstrou desprezo por essas instituições ao afirmar que o Congresso “ia vazar (a operação)” e que o governo “não quer vazadores”.
Contexto Histórico e Riqueza Petrolífera
A Venezuela, detentora de cerca de 303 bilhões de barris em reservas de petróleo, teve sua indústria nacionalizada a partir de 1975 com a criação da PDVSA, culminando na nacionalização total em 2009. A declaração de Trump sinaliza um desejo de reverter essa política e garantir o acesso americano aos recursos, em um contexto de tensões geopolíticas e preocupações com a estabilidade regional.

