Restrição Temporária Afeta Produtos da América do Sul
A França anunciou nesta quarta-feira a suspensão, por um ano, da importação de diversos produtos agrícolas que foram cultivados com o uso de fungicidas e herbicidas contendo substâncias proibidas na União Europeia (UE). A decisão, que entra em vigor nesta quinta-feira, atinge principalmente produtos oriundos da América do Sul, como abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, que utilizam compostos como mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
O Ministério da Agricultura francês esclareceu que a medida não é direcionada especificamente contra a América do Sul, mas sim contra qualquer país que processe frutas e vegetais com essas substâncias. A iniciativa é vista como uma resposta direta à crescente oposição dos produtores europeus, especialmente os franceses, ao iminente acordo comercial entre a UE e o Mercosul.
Agricultores Europeus Expressam Preocupação e Protestam
A França e a UE buscam estratégias para mitigar as preocupações de seus agricultores e pecuaristas, que temem a concorrência de produtos provenientes da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. A chegada desses produtos, considerados mais competitivos, poderia impactar significativamente o mercado europeu.
Em território francês, os protestos dos agricultores continuam, com bloqueios de estradas e manifestações. A reunião dos ministros da Agricultura europeus em Bruxelas nesta quarta-feira visa discutir essas apreensões e encontrar soluções.
Acordo UE-Mercosul Sob Pressão e Possível Assinatura em Breve
O decreto francês de restrição de importações ainda passará por análise da Comissão Europeia, que tem dez dias para decidir se aprova, estende para toda a UE ou se opõe à medida. Paralelamente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs um financiamento adicional de cerca de 45 bilhões de euros para os agricultores, como parte da futura Política Agrícola Comum (PAC) para 2028-2034, numa tentativa de acalmar o setor.
Apesar da oposição francesa e das manifestações, a assinatura do acordo UE-Mercosul ainda pode ocorrer em 12 de janeiro, caso seja aprovada pela maioria qualificada do Conselho Europeu. A medida francesa, juntamente com as propostas de financiamento, reflete a complexa negociação e as pressões internas enfrentadas pela União Europeia em relação a este acordo comercial.

