Um grupo de manifestantes se reuniu na manhã deste sábado (10) em frente ao terreno do antigo Colégio Bennett, na Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo, para protestar contra o corte de mais de 70 árvores. A derrubada ocorreu em preparação para um empreendimento imobiliário que abrigará entre 350 e 400 apartamentos. A manifestação, organizada por moradores locais com apoio da Associação de Moradores e Amigos do Flamengo (Amafla), causou interdição de uma faixa da Rua Marquês de Abrantes, gerando trânsito intenso na região.
Críticas à Gestão Municipal e Impacto Ambiental em Destaque
Cartazes colados no gradil do terreno, que também é tombado, expressavam críticas à administração municipal e à supressão da vegetação. Os manifestantes alegam que algumas das árvores removidas eram centenárias e essenciais para a regulação do microclima do bairro, apelidado pelos moradores de “mini bosque do Flamengo”. O corte, realizado na véspera do Ano Novo, gerou indignação, com relatos de que a empresa responsável alegou ter sido contratada para o serviço em um período de menor fiscalização.
Investigações em Andamento e Reações de Órgãos Públicos
A mobilização dos moradores incluiu um abaixo-assinado com mais de 1.600 assinaturas, que desencadeou uma série de reações de órgãos públicos. Um inquérito que já apurava a descaracterização de bem tombado no terreno desde fevereiro de 2025 foi ampliado para investigar os cortes de árvores. O deputado estadual Carlos Minc enviou uma representação ao procurador geral do estado, enquanto a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal do Rio informou que acompanhará as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O MPRJ, por sua vez, notificou a Prefeitura do Rio sobre o controle e monitoramento de medidas compensatórias em autorizações para corte de árvores, estabelecendo prazo para resposta e relembrando uma recomendação anterior sobre o tema.
Patrimônio Histórico e Ambiental em Risco
O inquérito também foca na possível descaracterização do Pavilhão São Clemente, residência do Barão de São Clemente e bem tombado municipalmente desde 2014. O decreto de tombamento, assinado pelo prefeito Eduardo Paes, proibia expressamente o corte de árvores no local. O terreno, antes caracterizado por vegetação densa, agora apresenta-se como um espaço de terra e concreto. Moradores relatam o desaparecimento de fauna urbana, como maritacas, micos e gambás, e a perda de exemplares significativos, como uma antiga jaqueira.
Posicionamento da Prefeitura e das Empresas Envolvidas
Em resposta, a prefeitura informou, através da Fundação Parques e Jardins, que está realizando um levantamento para assegurar o plantio de 71 novas árvores no bairro, além de 632 mudas nativas como medida compensatória ambiental. A gestão municipal ressaltou que o imóvel é tombado e o projeto foi analisado e aprovado pelos órgãos competentes, incluindo a preservação e transplante de exemplares de pau-brasil e outras sete árvores nativas. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento reiterou que o projeto cumpre a legislação ambiental. A Newview Incorporadora, responsável pelo empreendimento, afirmou em nota que o projeto possui todas as licenças necessárias e que as ações foram legais, com anuência dos órgãos competentes. A empresa também destacou o investimento de R$ 5 milhões previsto para a restauração dos imóveis tombados, visando a preservação do patrimônio histórico.

