Premiação em Caracas
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, foi condecorado com a medalha de “Arquiteto da Paz” em uma cerimônia realizada em Caracas. A honraria, concedida por entidades bolivarianas, ocorreu em paralelo à escalada de tensões com os Estados Unidos e poucos dias após a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025. A condecoração foi aprovada unanimemente pela Sociedade Bolivariana da Venezuela e pela Sociedade Bolivariana de Caracas, que elogiaram Maduro como um “caraquenho exemplar” e “lutador”.
Em seu discurso, Maduro celebrou o reconhecimento, declarando que a paz seria sua “maior conquista política”, seu “porto” e sua “glória”. Ele também foi nomeado presidente honorário da Sociedade Bolivariana da Venezuela, em reconhecimento à sua “entrega total ao país”. O evento aconteceu em meio a um bloqueio total imposto pelos EUA a petroleiros que entram e saem do território venezuelano.
Escalada de Hostilidades e Planos Militares
A situação entre Venezuela e Estados Unidos deve ser discutida em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O governo venezuelano classificou as ações americanas como uma “agressão em curso” e solicitou a convocação urgente da sessão, com apoio de China e Rússia. Relatos indicam que o presidente Donald Trump autorizou a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, e o Pentágono apresentou opções militares, incluindo ataques a instalações venezuelanas, sob a alegação de vínculos entre as Forças Armadas do país e o narcotráfico.
Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por sua captura. A mobilização militar americana na América Latina aumentou, com o envio de porta-aviões, destróieres e milhares de soldados para o Caribe. Essas ações geraram críticas de juristas e legisladores democratas, que as consideram violações do direito internacional.
Dados da ONU Desafiam Narrativa Americana
A narrativa de combate ao narcotráfico promovida pelos EUA encontra contraponto em dados recentes. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 da ONU aponta que o fentanil, principal responsável por overdoses nos EUA, tem origem no México, e não na Venezuela. O documento também indica que a cocaína, uma das drogas mais consumidas nos EUA, não tem sua principal origem na Venezuela, mas sim na Colômbia, Bolívia e Peru. Uma pesquisa Reuters/Ipsos revelou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas dos EUA para matar suspeitos de narcotr��fico sem processo judicial, evidenciando uma divisão na opinião pública americana sobre tais operações.

