Decisões Individuais São Essenciais, Diz Ministro
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta segunda-feira (10) a importância das decisões monocráticas proferidas por ministros da Corte. Em artigo publicado na revista Carta Capital, Dino rebateu as críticas que apontam um suposto exagero no poder individual dos magistrados, argumentando que tais decisões são parte integrante do “padrão de funcionamento” do sistema judiciário e que sua ausência levaria a um “colapso jurisdicional” no país.
Aumento do Poder e Crises Decisórias
Segundo o ministro, o que pode ser percebido como um “poder pessoal” dos ministros do STF decorre, em grande parte, dos papéis que o tribunal tem desempenhado diante de “crises decisórias em outros ramos do Estado” e da “expansão do controle de constitucionalidade”. Dino explica que o STF é frequentemente acionado para analisar a conformidade de ações de outros Poderes com a Constituição, o que naturalmente amplia sua atuação.
Velocidade e Eficiência na Justiça
O artigo de Dino visa esclarecer que as decisões individuais são um mecanismo para garantir maior celeridade à Justiça. Ele sustenta que a eliminação das decisões monocráticas resultaria em um atraso ainda maior nos processos judiciais, impactando diretamente a eficiência do sistema. A publicação surge em um momento em que o Congresso Nacional discute a limitação dessas decisões, em resposta a percepções de extrapolação de competências do STF.
Debates no Congresso e o Futuro dos Processos
A restrição às decisões monocráticas é um dos pontos centrais no debate parlamentar sobre os limites de atuação do Supremo. Além disso, há propostas para reduzir as competências da Corte, filtrando os tipos de processos que chegam ao tribunal. Dino, embora concorde com a “tese” de direcionamento de processos, levanta a questão sobre para onde seriam encaminhados os casos eventualmente retirados do STF, citando o estoque de 323 mil processos aguardando julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Rebatendo Alegações de ‘Contaminação’
No mesmo artigo, Flávio Dino também abordou as alegações sobre o risco de “contaminação” dos ministros do STF. Ele afirmou que “ouvir pontos de vista diferentes”, seja em eventos públicos ou audiências, não prejudica a função de julgar e “não implica automaticamente corrupção ou parcialidade”. O ministro concluiu que atos de improbidade, na verdade, ocorrem “longe dos olhos e ouvidos do público”, em transações ocultas e reuniões clandestinas que não deixam rastros oficiais.

