Demanda Crescente e Desafios Financeiros
A pesquisa da Brain Inteligência Estratégica revela um cenário promissor para o mercado imobiliário em 2026, com 59% dos jovens entre 21 e 28 anos planejando adquirir um imóvel. Esse ímpeto impulsionou a intenção de compra no Brasil a 50% no quarto trimestre de 2025, a maior taxa da série histórica iniciada em 2019. No entanto, o número de famílias que efetivamente concluíram uma compra nos últimos 12 meses foi de apenas 9%, evidenciando um gargalo significativo entre o desejo e a realização.
Geração Z: O Motor da Intenção de Compra
A Geração Z se destaca como a principal força motriz por trás do aumento na intenção de compra, apresentando um salto de dez pontos percentuais no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o ano anterior. Essa geração busca autonomia e estabilidade patrimonial, com 72% dos entrevistados, em todas as faixas etárias, preferindo a casa própria, contrariando a narrativa de que priorizariam a locação. Para 38% dos que planejam comprar, a principal motivação é sair do aluguel.
Barreiras Estruturais Dificultam a Concretização
O descompasso entre a intenção e a execução da compra de imóveis por parte dos mais jovens é atribuído a barreiras estruturais. A renda em formação, um histórico de crédito curto e a dificuldade em compor a entrada exigida pelos bancos, especialmente em um cenário de taxa Selic elevada, são os principais obstáculos. O crédito imobiliário mais caro ao longo de 2025 também dificulta o acesso, pois o perfil econômico típico de um jovem adulto em início de carreira raramente se encaixa nos critérios de aprovação de financiamentos tradicionais.
O Papel do Imóvel Compacto e o Futuro do Mercado
A preferência da Geração Z recai sobre imóveis compactos, como estúdios e apartamentos de um dormitório, em regiões centrais ou próximas a polos de trabalho. Essa demanda reflete tanto limitações orçamentárias quanto mudanças no estilo de vida, como o trabalho híbrido ou remoto e a valorização da mobilidade urbana. Especialistas apontam que o programa Minha Casa Minha Vida pode ser um instrumento decisivo para viabilizar a entrada de jovens de menor renda no mercado. A conversão dessa demanda em vendas efetivas dependerá da trajetória dos juros e da capacidade dos jovens de estruturarem seu planejamento financeiro antes de assumir um financiamento de longo prazo, transformando o desafio em oportunidade para o setor.

