Palmeiras e Santos dividiram os pontos em um clássico eletrizante que terminou em 1 a 1 neste sábado, no Allianz Parque, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto foi marcado por uma série de eventos: um gol anulado nos acréscimos que impediu a virada palmeirense, o atraso no início da partida, a “despedida” do Allianz Parque com seu nome atual e o emocionante retorno do camisa 10 palmeirense, Paulinho, após quase um ano afastado. Rollheiser, pelo Santos, e Flaco López, pelo Palmeiras, foram os autores dos gols em um jogo de dois tempos distintos.
Clássico de Dois Tempos e Polêmica no Fim
O Peixe dominou a primeira etapa, criando as melhores oportunidades e mostrando-se mais organizado em campo, mesmo jogando fora de casa. Rollheiser abriu o placar aos 25 minutos com um chute potente de fora da área, sem chances para o goleiro Carlos Miguel, que não alcançou a bola no ângulo. O Palmeiras, irreconhecível e desorganizado taticamente, foi para o intervalo sob vaias da torcida, que expressava sua insatisfação com a performance abaixo do esperado. No segundo tempo, a equipe alviverde, após ajustes táticos do técnico Abel Ferreira e as entradas de Allan e Sosa, reagiu com mais intensidade e volume de jogo. Allan, em particular, foi peça-chave na melhora do time, participando ativamente da jogada que resultou no gol de empate de Flaco López, após cruzamento de Andreas Pereira. A emoção atingiu o ápice nos acréscimos, quando Allan balançou as redes novamente, em um gol que seria da virada e levaria o Allianz Parque ao delírio. No entanto, o árbitro Raphael Klaus, após revisão do VAR, anulou o lance por um toque no braço de Arias, frustrando a torcida palmeirense e mantendo o empate em 1 a 1 até o apito final.
Impacto na Tabela e Despedida do Allianz
O resultado se mostrou insatisfatório para ambos os lados. O Palmeiras, líder com 33 pontos, corre o risco de ver sua vantagem na ponta do Brasileirão diminuir de seis para quatro pontos, caso Fluminense e Flamengo vençam seus jogos no domingo. Já o Santos, que somou 15 pontos, saiu provisoriamente da zona de rebaixamento, mas pode retornar ao Z-4 dependendo dos demais resultados da rodada. A partida também marcou um momento simbólico para o estádio, que viveu sua “despedida” com o nome Allianz Parque, antes que o Nubank, detentor dos naming rights, revele a nova nomenclatura na próxima segunda-feira.
Retorno de Paulinho e Atraso Inusitado
Um dos momentos mais aguardados da noite foi o retorno de Paulinho. O camisa 10 palmeirense, que não entrava em campo há 302 dias devido a uma incomum fratura por estresse na tíbia da perna direita, foi ovacionado pela torcida ao pisar novamente no gramado. Sua volta é um alento para a equipe alviverde, que busca consolidar sua liderança. Antes mesmo de a bola rolar, o clássico já colecionava um episódio inusitado: o jogo começou com atraso porque o Santos não compareceu ao campo para o hino nacional, alegando “problemas durante o deslocamento” do hotel ao estádio, o que gerou questionamentos e comentários.
Erros Táticos e Reação Alviverde
Apesar de enfrentar um Santos que iniciou a rodada na zona de rebaixamento e com um histórico recente de apenas uma vitória em oito jogos, o Palmeiras parecia ser o time mais pressionado e desorganizado. A equipe de Abel Ferreira fez um péssimo primeiro tempo, possivelmente o pior da temporada, com o treinador português sendo criticado por alterar o esquema habitual e escalar Khellven, Lucas Evangelista e Maurício, que tiveram atuações muito abaixo do esperado e foram apontados como os piores em campo. A desorganização tática era visível, com jogadores fora de suas posições habituais: Andreas Pereira, em tese mais avançado, surgia como segundo atacante; o centroavante Flaco López atuava como ponta; e o baixinho Arias virou centroavante, gerando uma “bagunça tática” poucas vezes vista no Palmeiras de Abel. O Santos soube capitalizar esses problemas, aproveitando os muitos erros na saída de bola do rival, principalmente com Khellven e Evangelista, para construir seu gol e, posteriormente, defender-se de forma inteligente. A reação palmeirense veio apenas na etapa final, com a correção dos erros e a aposta em novos nomes como Allan e Sosa, que trouxeram a intensidade e a criatividade necessárias para buscar o empate, mas não a tão desejada virada.

