Governo de SC decreta estado de alerta climático
O governo de Santa Catarina anunciou nesta segunda-feira (18) a decretação de estado de alerta climático. A medida visa antecipar a preparação do estado para os potenciais impactos do fenômeno ‘super El Niño’, previsto para o segundo semestre deste ano. O decreto, assinado pelo governador Jorginho Mello (PL), tem validade de 180 dias e pode ser prorrogado. Seu principal objetivo é agilizar a liberação de recursos e a execução de obras, tanto preventivas quanto emergenciais, em todo o território catarinense.
Facilitação de recursos e agilidade em emergências
O estado de alerta facilitará a homologação de novos decretos municipais de emergência, permitindo uma resposta mais rápida em caso de desastres. Segundo o coronel Fabiano de Souza, secretário de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, a medida antecipa a preparação para cenários de desastre, como os já causados pelo El Niño no passado. Além da formação de um comitê de crise estadual, o decreto prevê a redução da burocracia para a aquisição de itens de assistência humanitária e incentiva a adesão dos municípios no enfrentamento conjunto de desastres, como inundações.
Previsões de chuvas intensas e impactos históricos
As projeções da Defesa Civil indicam que o período crítico de chuvas deve iniciar em setembro e se estender até janeiro de 2027. Em 2024, Santa Catarina já sentiu os efeitos do El Niño, com fortes chuvas que levaram cerca de 900 pessoas a deixarem suas residências. O fenômeno, causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, costuma resultar em aumento de chuvas no Sul do Brasil e seca no Norte, além de ondas de calor no centro do país. Em 2023, o estado vizinho do Rio Grande do Sul foi severamente afetado, registrando 185 mortes.
Intensidade esperada do fenômeno e probabilidade
As previsões meteorológicas apontam que o El Niño atuará com intensidade fraca a moderada entre o final do outono e o inverno, mas deverá se intensificar para forte a muito forte na primavera, especialmente em setembro. Wanderson Luiz Silva, meteorologista da UFRJ, explicou que a formação do El Niño no Oceano Pacífico Equatorial é praticamente certa a partir de junho e julho. As anomalias de temperatura da superfície do mar projetadas, que podem atingir até +2,5°C, sugerem um fenômeno de forte intensidade, com pico máximo previsto para a primavera e o verão. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) divulgou em 14 de maio que há 82% de probabilidade de o El Niño começar até julho e 96% de chance de que ele se estenda até fevereiro de 2027.

