O ponto de partida da investigação
A Polícia Federal desarticulou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, que resultou na prisão de figuras conhecidas como MC Ryan SP e Poze do Rodo, além do dono da página Choquei e outros influenciadores. A investigação, batizada de “Operação Narco Fluxo”, teve um início inesperado: um backup de celular. A análise dos dados armazenados no iCloud de Rodrigo Morgado, apontado como o operador central da organização criminosa, foi crucial para desvendar a complexa rede.
O papel fundamental do iCloud
A “Operação Narco Fluxo” é um desdobramento da “Operação Narco Bet”, que em 2025 levou à prisão de Rodrigo Morgado e do influenciador “Buzeira”. Desta vez, a PF utilizou o acesso aos dados do contador para identificar uma organização criminosa “autônoma e dissociada” da anterior. Morgado atuava na articulação de transferências bancárias e na proteção patrimonial dos envolvidos, com foco especial em MC Ryan SP. As informações extraídas da nuvem do celular, cruzadas com relatórios de inteligência financeira do COAF, permitiram mapear toda a rede criminosa, incluindo colaboradores e empresas de fachada. Mensagens indicando atividades recentes até dezembro de 2025 justificaram a urgência na decretação das prisões.
Artistas e influenciadores como “escudo de conformidade”
Segundo a PF, o grupo criminoso utilizava o setor de entretenimento e a indústria musical para ocultar recursos provenientes de tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas digitais. Artistas e influenciadores funcionavam como um “escudo de conformidade”, onde a projeção pública e o alto engajamento nas redes sociais serviam para naturalizar as movimentações financeiras ilícitas, dificultando a fiscalização dos órgãos de controle. MC Ryan SP é apontado como o líder do esquema, utilizando sua base de seguidores para dar aparência de legalidade ao patrimônio. Ele também teria utilizado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo empresas para familiares e empregando “laranjas” para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física.
Posições das defesas
As defesas dos envolvidos têm se manifestado. A defesa de MC Ryan SP alega não ter tido acesso ao processo sigiloso, mas afirma a “absoluta integridade” do artista e a lisura de suas transações financeiras. A defesa de Raphael Sousa Oliveira, dono da Choquei, esclarece que seu vínculo se restringe à prestação de serviços publicitários lícitos, negando participação em organizações criminosas. Já a defesa de Rodrigo Morgado reitera sua inocência, declarando que ele atuou estritamente como contador, prestando serviços éticos e regulares. Argumentam que a conversão de criptomoedas em reais e a atividade P2P, quando comunicadas à Receita Federal, não configuram crime. A CNN Brasil segue tentando contato com as defesas dos demais citados.

