Toque de Recolher para Enfrentar Violência
A partir deste domingo, 3 de março, o Equador implementa um novo toque de recolher noturno, que vigorará até 18 de maio. A medida, válida das 23h às 5h, horário local, abrange nove províncias consideradas de alto risco: Guayas, Manabí, Santa Elena, Los Ríos, El Oro, Pichincha, Esmeraldas, Santo Domingo de los Tsáchilas e Sucumbíos. Quatro cantões específicos – La Maná, Las Naves, Echeandía e La Troncal – também estão incluídos devido à concentração de crimes e à presença de grupos criminosos.
Restrições e Exceções à Livre Circulação
O decreto impõe restrições à livre circulação, suspende a inviolabilidade do domicílio para permitir buscas e apreensões, e autoriza a revisão de correspondências, incluindo e-mails e mensagens, com o objetivo de neutralizar ameaças. A implementação ficará a cargo dos Ministérios da Defesa, do Interior, da Polícia Nacional e das Forças Armadas, em colaboração com outras entidades. No entanto, haverá exceções para pessoal essencial, como profissionais de saúde, agentes da lei, gestores de risco e equipes de emergência, além de outras situações de necessidade comprovada.
Preocupações de Especialistas e Setores Produtivos
Especialistas em segurança expressam preocupação com a frequência de estados de emergência e toques de recolher decretados pelo presidente Daniel Noboa, apontando que os índices de homicídios continuam a crescer e a criminalidade se desloca geograficamente. Os setores produtivos também relatam impactos econômicos severos. Miguel Gonzáléz, presidente da Câmara de Comércio de Guayaquil, informou que cerca de 73% das empresas com atividades noturnas registraram queda de 40% nas vendas, enquanto as que operam exclusivamente à noite enfrentam perdas de até 70% ou 80%.
Deslocamento da Atividade Criminosa e Cenário Crítico em Quito
O próprio governo reconhece em seu decreto o fenômeno do “pós-toque de recolher”, onde a atividade criminosa se desloca para áreas não abrangidas pela medida, sem uma neutralização estrutural. O decreto aponta que a ameaça não foi totalmente eliminada, mesmo em territórios sob estado de emergência. A capital, Quito, é descrita como um “cenário crítico” de segurança, com aumento contínuo da violência e percepção de insegurança. O decreto menciona uma disputa pelo poder entre as gangues Los Lobos, Los Choneros e Tiguerones na capital, lutando pelo controle das rotas de tráfico de drogas e mercados ilícitos. Entre janeiro e abril de 2026, o país registrou 2.509 homicídios, com a província de Guayas respondendo por 43,8% do total, sendo considerada o “epicentro da violência letal”. O governo também destaca a diversificação das atividades criminosas para incluir mineração ilegal, tráfico de armas, hidrocarbonetos, lavagem de dinheiro, contrabando e tráfico de pessoas.

